A queda de cabelo persistente nem sempre tem origem genética e, em muitos casos, está relacionada a alterações no funcionamento da tireoide. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo interferem no ciclo natural dos fios, tornando o cabelo mais fino, quebradiço e propenso à perda difusa. Reconhecer esse sinal precocemente ajuda a identificar desequilíbrios hormonais que afetam todo o organismo.
Como a tireoide influencia o crescimento dos fios?
A tireoide produz hormônios que regulam o metabolismo de praticamente todas as células do corpo, incluindo as do folículo piloso. Quando há desequilíbrio, o ciclo capilar é interrompido antes do tempo, fazendo com que muitos fios entrem simultaneamente na fase de queda.
Esse processo costuma ser difuso, ou seja, atinge todo o couro cabeludo, e não áreas específicas como acontece na calvície de padrão genético. Também pode afetar sobrancelhas, especialmente a porção lateral, e outros pelos do corpo.
O que acontece no hipotireoidismo?
No hipotireoidismo, a produção insuficiente de hormônios reduz o ritmo metabólico e prejudica a renovação capilar. Os fios ficam ressecados, sem brilho e quebram com facilidade, além de crescerem mais lentamente. É comum notar afinamento progressivo e maior queda ao pentear ou lavar o cabelo.
Além da alteração capilar, o quadro costuma vir acompanhado de outros sinais que ajudam a diferenciá-lo de causas comuns de queda de cabelo, como cansaço excessivo e intolerância ao frio.

Quais sintomas acompanham a alteração da tireoide?
De acordo com diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, os sintomas variam conforme o tipo de disfunção e raramente aparecem isolados. Observar o conjunto de sinais é essencial para suspeitar do diagnóstico:
- Hipotireoidismo: ganho de peso sem mudança na alimentação, cansaço constante, pele seca, prisão de ventre, sensação de frio e humor deprimido, entre outros sintomas de hipotireoidismo.
- Hipertireoidismo: perda de peso involuntária, taquicardia, insônia, sudorese excessiva, tremores nas mãos, ansiedade e irritabilidade, sinais típicos do hipertireoidismo.
- Ambos os quadros: queda de cabelo difusa, unhas frágeis, alterações menstruais e mudanças de humor perceptíveis por pessoas próximas.
O que a ciência mostra sobre tireoide e queda capilar?
Pesquisas dermatológicas reforçam que as disfunções tireoidianas comprometem diretamente a qualidade e o crescimento dos fios. Segundo o estudo A Descriptive Study of Alopecia Patterns and their Relation to Thyroid Dysfunction, publicado no International Journal of Trichology, tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo estão associados a diferentes padrões de alopecia, incluindo a queda difusa, e a investigação da função tireoidiana é recomendada em pacientes com perda capilar persistente.

Como confirmar o diagnóstico e o que fazer?
O único exame capaz de confirmar a suspeita é a dosagem do TSH, hormônio produzido pela hipófise que regula a tireoide, geralmente complementado pelo T4 livre. Valores alterados indicam a necessidade de investigação mais detalhada, incluindo anticorpos e ultrassonografia quando indicados pelo médico.
Antes de recorrer a suplementos ou tratamentos capilares por conta própria, o ideal é procurar um endocrinologista para avaliação individualizada. O tratamento pode envolver reposição hormonal com levotiroxina, no caso do hipotireoidismo, ou medicamentos que reduzem a atividade da glândula, no hipertireoidismo, sempre com acompanhamento regular.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de confiança.









