Embora o estresse seja frequentemente apontado como culpado, a maioria dos casos de queda de cabelo em mulheres adultas está ligada a fatores clínicos identificáveis, como deficiência de ferro (avaliada pela ferritina) e alterações da tireoide. Reconhecer essas causas é fundamental para interromper a perda dos fios e evitar o uso desnecessário de suplementos ou tratamentos estéticos que, sozinhos, não resolvem o problema de origem.
Por que a ferritina baixa afeta o ciclo capilar?
A ferritina é a proteína que armazena ferro no organismo, mineral essencial para a oxigenação e a multiplicação das células da matriz do folículo piloso. Quando esse estoque cai, mesmo sem anemia instalada, o fio recebe menos suporte metabólico e entra precocemente na fase de repouso.
Esse mecanismo favorece o chamado eflúvio telógeno, um tipo de queda difusa em que dezenas de fios caem por dia sem falhas localizadas no couro cabeludo, afetando principalmente mulheres em idade fértil, gestantes e pacientes com menstruação intensa.
Como as alterações da tireoide provocam queda de cabelo?
Os hormônios tireoidianos regulam o metabolismo celular e influenciam diretamente a duração da fase de crescimento (anágena) dos fios. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem encurtar essa fase, resultando em cabelos mais finos, opacos e em maior queda ao pentear ou lavar.
Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, avaliar o TSH e o T4 livre é essencial diante de queda persistente, sobretudo quando há sintomas como cansaço, ganho de peso, intolerância ao frio ou alterações menstruais associadas.

Como um estudo científico confirma a relação entre ferritina, vitamina D e queda capilar?
Pesquisas dermatológicas vêm medindo diretamente os níveis de nutrientes em mulheres com queda difusa e comparando-os com grupos saudáveis, o que ajuda a fundamentar a solicitação de exames laboratoriais no consultório. Segundo o estudo Serum ferritin and vitamin D in female hair loss: do they play a role?, publicado na revista Skin Pharmacology and Physiology, mulheres com eflúvio telógeno crônico apresentaram ferritina média de 14,7 µg/L, enquanto o grupo sem queda registrou 43,5 µg/L, uma diferença significativa.
Os autores concluíram que a avaliação de ferritina e vitamina D deve fazer parte da rotina diante de quadros de calvície feminina e queda difusa, reforçando as recomendações da Sociedade Brasileira de Dermatologia sobre investigação laboratorial antes da suplementação.
Quais exames são indicados para investigar a queda de cabelo?
Antes de iniciar qualquer tratamento capilar, o dermatologista costuma solicitar um painel de exames laboratoriais para identificar a causa real da perda dos fios. Os mais frequentemente pedidos são:
- Ferritina sérica, para avaliar as reservas de ferro do organismo, mesmo quando o hemograma está normal.
- Hemograma completo, ferro sérico e saturação de transferrina, que ajudam a diferenciar deficiência inicial de anemia instalada.
- TSH e T4 livre, para investigar hipotireoidismo ou hipertireoidismo subclínico.
- Vitamina D (25-OH), associada à qualidade do ciclo capilar em vários estudos dermatológicos.
- Zinco, vitamina B12 e ácido fólico, importantes para a síntese de queratina e a renovação do folículo.
- Dermatoscopia e tricograma, exames de imagem que diferenciam eflúvio telógeno de alopecia androgenética.

Por que iniciar suplementos ou tratamentos estéticos sem diagnóstico pode piorar o quadro?
Recorrer a suplementos capilares, minoxidil ou procedimentos estéticos sem investigação laboratorial pode mascarar a causa de base, atrasar o tratamento adequado e resultar em novos episódios de queda após alguns meses. Isso é especialmente comum quando a raiz do problema é hormonal ou nutricional.
Os principais cuidados recomendados por dermatologistas antes de iniciar qualquer estratégia incluem:
- Confirmar a deficiência por meio de exames de sangue específicos, evitando autodiagnóstico.
- Identificar a causa da perda de ferro, como menstruação intensa, dieta restritiva ou má absorção intestinal.
- Tratar a alteração tireoidiana, quando confirmada, com acompanhamento endocrinológico.
- Reavaliar em 3 a 6 meses, período mínimo para observar melhora visível no tratamento para calvície e no crescimento dos fios.
- Evitar suplementação por conta própria, já que o excesso de ferro pode causar efeitos colaterais e comprometer o fígado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um médico ou profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um dermatologista ou endocrinologista diante de queda de cabelo persistente.









