Entre as plantas medicinais estudadas para a saúde hepática, o cardo-mariano se destaca como a opção mais pesquisada e com maior evidência científica. Conhecido há séculos na medicina tradicional europeia, ele contém um composto chamado silimarina que oferece proteção real às células do fígado. Entender como essa planta atua no organismo pode ser o primeiro passo para incluí-la de forma segura na rotina de quem deseja cuidar desse órgão vital.
Por que o fígado precisa de proteção
O fígado realiza mais de 500 funções metabólicas, incluindo a filtragem de toxinas do sangue, a produção de bile para digestão de gorduras e o armazenamento de vitaminas essenciais. Quando exposto a alimentação ultraprocessada, consumo excessivo de álcool, medicamentos e estresse crônico, esse órgão sofre com o acúmulo de substâncias nocivas que geram estresse oxidativo e processos inflamatórios. A progressão desses danos pode levar à esteatose hepática, fibrose e, em casos graves, à cirrose.
Como a silimarina protege as células hepáticas
O principal mecanismo de proteção do cardo-mariano está relacionado à silimarina, um complexo de flavonolignanas extraído das sementes da planta. Essa substância atua de diversas formas no fígado. Ela funciona como um captador de radicais livres, reduzindo o estresse oxidativo que danifica as células. Também modula enzimas associadas ao desenvolvimento de danos celulares, fibrose e cirrose, além de estabilizar as membranas dos hepatócitos e impedir a entrada de toxinas.

Revisão científica mostra redução de mortes relacionadas ao fígado
Os efeitos hepatoprotetores da silimarina foram documentados em diversos estudos clínicos. Segundo a revisão “Silymarin as Supportive Treatment in Liver Diseases: A Narrative Review”, publicada no periódico Advances in Therapy, o tratamento com silimarina em pacientes com cirrose foi associado a uma redução significativa de mortes relacionadas a doenças hepáticas. A análise também demonstrou melhora nos parâmetros glicêmicos de pacientes diabéticos com cirrose alcoólica e recuperação de função hepática em casos de lesão induzida por medicamentos.
Como consumir o cardo-mariano
Existem diferentes formas de utilizar essa planta medicinal, cada uma com suas particularidades:
- Chá das sementes: preparar a infusão com uma colher de sopa dos frutos em 200 ml de água quente, abafar por 10 minutos e coar. A silimarina é pouco solúvel em água, então o chá oferece concentração menor do princípio ativo
- Cápsulas e extratos padronizados: oferecem dosagem controlada e maior biodisponibilidade, sendo a forma mais utilizada em estudos clínicos
- Tintura líquida: permite absorção mais rápida e pode ser adicionada a água ou sucos
A dosagem mais estudada em ensaios clínicos varia entre 420 mg e 600 mg de silimarina por dia, geralmente dividida em três doses. Para mais informações sobre problemas hepáticos e formas de tratamento, confira o conteúdo completo do Tua Saúde sobre remédios naturais para o fígado.

Quem deve evitar o uso
Apesar de ser geralmente bem tolerado, o cardo-mariano não é indicado para todas as pessoas. Gestantes e lactantes devem evitar o uso sem orientação médica. Pessoas com cálculos biliares ou obstrução dos ductos biliares também precisam de acompanhamento profissional antes de consumir essa planta. Quem utiliza medicamentos metabolizados pelo fígado deve consultar um médico para avaliar possíveis interações.
Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, diagnóstico ou tratamento de um médico ou profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um especialista para orientações específicas sobre sua condição.









