A boca ardendo sem feridas visíveis pode ser descrita como queimação, ardor ou sensação de boca “quente”, mesmo quando a língua, os lábios, as gengivas e o céu da boca parecem normais. Esse incômodo é mais relatado depois da menopausa, mas também pode ter outras causas que precisam ser investigadas.
Como é a ardência na boca
A sensação pode atingir a língua inteira, a ponta da língua, os lábios, as gengivas, a parte interna das bochechas ou o céu da boca. Em algumas pessoas, o ardor piora ao longo do dia e atrapalha falar, comer ou dormir.
Segundo a Mayo Clinic, a síndrome da boca ardente é diagnosticada após avaliação dos sintomas, exame da boca e investigação de possíveis causas, como infecções, alergias, boca seca, refluxo, diabetes e deficiências nutricionais.
Por que é comum após a menopausa
As alterações hormonais podem modificar a saliva, a sensibilidade da mucosa e a forma como o sistema nervoso percebe dor e calor na boca. Por isso, a queixa de boca ardendo pode aparecer ou se intensificar na peri e pós-menopausa.
Além da queimação, podem surgir boca seca, gosto amargo ou metálico, alteração do paladar, formigamento e maior sensibilidade a alimentos ácidos, quentes ou apimentados.

Causas que precisam ser avaliadas
Nem toda ardência bucal é causada pela menopausa. O sintoma pode ser primário, quando não há uma causa clara, ou secundário, quando existe outro problema irritando a boca ou os nervos.
- Boca seca ou redução da saliva;
- uso de medicamentos que ressecam a boca;
- diabetes, refluxo ou alterações hormonais;
- candidíase oral e outras infecções;
- deficiência de vitamina B12, ferro, folato ou zinco.
O que diz um estudo científico
A relação entre boca ardendo e menopausa foi abordada na revisão científica An updated review on pathophysiology and management of burning mouth syndrome with endocrinological, psychological and neuropathic perspectives, publicada no Journal of Oral Rehabilitation. O estudo descreve a síndrome da boca ardente como uma condição de dor orofacial crônica, mais comum em mulheres na peri e pós-menopausa, com possíveis componentes hormonais, psicológicos e neuropáticos.
Esse achado ajuda a explicar por que a ardência pode existir mesmo sem ferida visível. Ainda assim, o diagnóstico exige descartar causas tratáveis, como infecções, irritações por próteses, boca seca, diabetes e carências nutricionais.

Cuidados e sinais de alerta
Enquanto a causa é investigada, alguns cuidados podem reduzir a irritação local. Também é importante observar se há fatores que pioram a queimação, como determinados alimentos, bebidas ou produtos de higiene oral.
- Evite álcool, cigarro e enxaguantes bucais com álcool;
- reduza alimentos muito ácidos, picantes ou quentes;
- beba água em pequenos goles se houver ressecamento;
- não use antifúngicos, corticoides ou suplementos sem orientação;
- veja outras causas de síndrome da boca ardente.
Procure dentista ou médico se a ardência persistir, piorar, dificultar a alimentação, vier com feridas, sangramento, perda de peso, sede intensa, boca muito seca, gosto metálico constante ou sintomas como cansaço e formigamento.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, dentista ou especialista.









