O Mal de Pinto é uma doença de pele crônica causada pela bactéria Treponema carateum, comum em áreas rurais da América Central e do Sul. Apesar de afetar apenas a pele e não comprometer órgãos internos, essa condição pode ser facilmente confundida com manchas comuns, vitiligo ou até mesmo outras infecções. Conhecer seus sintomas e formas de tratamento é essencial para buscar ajuda médica no momento certo e evitar que as lesões se tornem permanentes.
O que causa o Mal de Pinto e como ele se espalha
O Mal de Pinto, também chamado de carate ou puru-puru, é provocado por uma bactéria da mesma família do agente causador da sífilis. No entanto, essa doença não é sexualmente transmissível. A transmissão acontece pelo contato direto de pele com pele, especialmente quando há cortes ou feridas expostas. Picadas de insetos também podem facilitar a entrada da bactéria no organismo.
A doença é mais frequente em crianças e jovens adultos entre 15 e 30 anos. Historicamente, foi registrada com maior incidência no México, Colômbia, Brasil e Peru, principalmente em comunidades com acesso limitado a serviços de saúde.

Sintomas em cada fase da doença
O Mal de Pinto se desenvolve em três fases distintas, e reconhecer cada uma delas ajuda a diferenciá-lo de manchas comuns na pele. Veja como a doença evolui:
- Fase inicial: após duas a três semanas do contato com a bactéria, surge uma pequena lesão elevada e avermelhada, geralmente nos braços, pernas, rosto ou pescoço. Essa lesão pode coçar e crescer com o tempo.
- Fase secundária: entre três e nove meses depois, aparecem manchas achatadas e espessas por diversas partes do corpo. Essas lesões podem variar de cor, indo do vermelho ao azulado ou acinzentado.
- Fase tardia: em alguns casos, a doença avança para um estágio em que as manchas perdem totalmente a cor ou ficam muito escuras, podendo causar alterações permanentes na aparência da pele.
Estudo científico reforça a importância do diagnóstico precoce
A falta de dados atualizados sobre o Mal de Pinto dificulta o controle da doença em regiões onde ela ainda pode existir. Segundo a revisão “Pinta: Latin America’s Forgotten Disease?”, publicada no American Journal of Tropical Medicine and Hygiene pela pesquisadora Lola V. Stamm, da Universidade da Carolina do Norte, a Organização Mundial da Saúde lista 15 países da América Latina onde a doença já foi considerada endêmica. O estudo destaca que a prevalência atual é desconhecida por falta de vigilância epidemiológica e recomenda que profissionais de saúde considerem o Mal de Pinto no diagnóstico de alterações cutâneas em pacientes vindos de áreas endêmicas. Todas as fases da doença respondem bem ao tratamento com uma única aplicação de penicilina. Confira a revisão completa neste link.

Como é feito o tratamento
O tratamento do Mal de Pinto é simples e eficaz quando realizado nas fases iniciais. Os principais recursos utilizados pelos médicos incluem:
- Penicilina benzatina: uma única injeção intramuscular costuma ser suficiente para eliminar a bactéria. As lesões deixam de ser contagiosas em menos de 24 horas após a aplicação.
- Azitromicina: por via oral, é uma alternativa eficaz, especialmente em campanhas de tratamento em massa em regiões afetadas.
- Tetraciclina ou eritromicina: podem ser indicadas para pessoas alérgicas à penicilina, sempre sob orientação médica.
É importante saber que o tratamento consegue curar a infecção e reverter as lesões mais recentes. Porém, as manchas que já atingiram a fase tardia podem se tornar permanentes, reforçando a importância de procurar um médico o mais cedo possível.
Por que não ignorar manchas persistentes na pele
Muitas condições dermatológicas, como vitiligo, micoses e eczema, podem gerar manchas semelhantes às do Mal de Pinto. A diferença está no histórico do paciente e na evolução das lesões. Manchas que mudam de cor progressivamente, que aparecem em áreas expostas e que não respondem a tratamentos comuns merecem uma investigação mais aprofundada. Para entender melhor outros tipos de alterações cutâneas e quando se preocupar, vale a pena conferir o guia sobre doenças de pele comuns no Tua Saúde.
Diante de qualquer mancha persistente ou que mude de aspecto, o mais indicado é consultar um dermatologista. Somente esse profissional pode realizar os exames necessários para diferenciar o Mal de Pinto de outras condições e indicar o tratamento adequado para cada caso.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento feito por um médico. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, procure orientação profissional.









