Ouvir um apito ou chiado constante no ouvido, mesmo em ambientes silenciosos, tem nome: tinnitus, popularmente conhecido como zumbido. O sintoma é bastante comum e, na maioria dos casos, benigno, ligado a fatores como exposição a ruído, cera acumulada ou estresse. Ainda assim, quando o zumbido piora de forma súbita, atinge apenas um ouvido ou vem acompanhado de perda auditiva, exige avaliação de um otorrinolaringologista para descartar causas mais sérias.
O que é tinnitus?
O tinnitus é a percepção de um som sem uma fonte sonora externa correspondente. Pode ser descrito como apito, chiado, zumbido, cliques ou pulsação, e afeta um ou os dois ouvidos.
Na maioria das vezes está relacionado a alterações na cóclea ou nas vias auditivas do cérebro, que passam a interpretar sinais neurais como som. O sintoma pode ser passageiro ou crônico e varia bastante em intensidade e impacto no dia a dia.
Quais são as causas mais comuns?
A maior parte dos casos tem origem benigna e está ligada ao funcionamento do ouvido ou a fatores externos. Entre os gatilhos mais frequentes estão:
- Exposição a ruído alto, como shows, fones de ouvido em volume elevado e ambientes de trabalho barulhentos
- Acúmulo de cera no ouvido, que bloqueia parcialmente o canal auditivo
- Estresse, ansiedade e noites mal dormidas
- Uso de medicamentos ototóxicos, como certos antibióticos, diuréticos e quimioterápicos
- Envelhecimento natural do sistema auditivo
- Alterações de pressão, cafeína em excesso e consumo de álcool
- Problemas na articulação temporomandibular (ATM)

Como um estudo do Lancet descreve o tinnitus?
A literatura científica reconhece o tinnitus como um sintoma comum, com causas e mecanismos variados. Segundo a revisão por pares Tinnitus, publicada no periódico britânico The Lancet, o zumbido afeta uma parcela significativa da população adulta e está frequentemente associado a perda auditiva, exposição a ruído, uso de medicamentos ototóxicos, traumas na cabeça e transtornos de humor como ansiedade e depressão.
Os autores destacam que a avaliação inicial deve considerar a possibilidade de doença otológica, além de investigar sintomas emocionais associados, já que o impacto do zumbido na qualidade de vida varia bastante de pessoa para pessoa.
Quando o zumbido exige avaliação médica?
Nem todo zumbido é motivo de preocupação, mas alguns sinais indicam que a investigação com um otorrinolaringologista não deve ser adiada. Segundo orientações da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, fique atento se você apresenta:
- Zumbido que surge de forma súbita ou piora rapidamente
- Sintoma apenas em um dos ouvidos (zumbido unilateral)
- Zumbido acompanhado de perda auditiva, mesmo que discreta
- Sensação de ouvido tampado ou plenitude que não passa
- Zumbido pulsátil, que segue o ritmo dos batimentos cardíacos
- Vertigem, desequilíbrio ou tontura associados
- Dor de ouvido, secreção ou febre junto ao zumbido
- Impacto significativo no sono, humor ou concentração
Esses sinais podem indicar condições que exigem tratamento específico, como perda auditiva súbita, doença de Ménière, otite ou, em casos raros, tumores do nervo auditivo.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O diagnóstico começa com a avaliação clínica pelo otorrinolaringologista, que investiga o histórico de exposição a ruído, uso de medicamentos e sintomas associados. A partir daí, exames complementares ajudam a definir a origem do zumbido.
Entre os exames mais utilizados estão a audiometria, para avaliar a audição em diferentes frequências, e a impedanciometria, que verifica o funcionamento do ouvido médio. Em casos selecionados, o médico pode solicitar ressonância magnética para descartar alterações no nervo auditivo. O tratamento varia conforme a causa e pode incluir remoção de cera, ajuste de medicamentos, uso de aparelhos auditivos, terapia sonora, terapia cognitivo-comportamental e cuidados com o estresse e o sono.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de zumbido persistente ou que piora, procure orientação médica.









