Chutar, socar, falar alto ou gritar enquanto dorme pode parecer apenas uma reação a um pesadelo intenso, mas também pode indicar o distúrbio REM, uma alteração do sono em que o corpo “encena” os sonhos. Em alguns casos, esse sinal merece atenção porque pode surgir anos antes de alterações neurológicas, como doença de Parkinson ou demência com corpos de Lewy.
O que é o distúrbio REM
Durante o sono REM, fase em que os sonhos costumam ser mais vívidos, o corpo normalmente fica com os músculos temporariamente relaxados. No distúrbio REM, esse bloqueio não funciona bem, permitindo movimentos bruscos durante o sonho.
Isso pode fazer a pessoa mexer braços e pernas, cair da cama ou machucar o parceiro, sem perceber no momento. Ao acordar, é comum lembrar de um sonho com perseguição, defesa ou luta.
Sinais que não devem ser ignorados
Segundo a Mayo Clinic, os sintomas podem variar de leves a intensos, mas costumam chamar atenção quando se repetem ou causam risco de lesões.
- Gritar, falar ou rir durante o sono, como se estivesse respondendo ao sonho;
- Chutar, socar ou pular da cama, especialmente em sonhos de ameaça;
- Movimentos violentos e repentinos, com risco de quedas ou pancadas;
- Lembrança clara do sonho ao acordar, geralmente com conteúdo agitado.

Estudo liga o distúrbio REM ao risco neurológico
O distúrbio REM não significa que a pessoa terá obrigatoriamente uma doença neurológica, mas pode funcionar como um sinal precoce em parte dos casos, principalmente quando surge sem causa aparente em adultos mais velhos.
Segundo o estudo multicêntrico Risk and predictors of dementia and parkinsonism in idiopathic REM sleep behaviour disorder, publicado na revista Brain, o distúrbio comportamental do sono REM idiopático foi associado a maior risco futuro de parkinsonismo, demência com corpos de Lewy e atrofia de múltiplos sistemas.
Quando procurar avaliação médica
A avaliação é importante quando os episódios são frequentes, intensos ou oferecem risco. O diagnóstico pode envolver consulta com neurologista ou médico do sono, além de exame de polissonografia para observar o comportamento durante o sono.
- Procure ajuda se houver quedas da cama ou machucados;
- Leve vídeos dos episódios, se possível, para ajudar na avaliação;
- Informe uso de remédios, álcool ou outros fatores que possam interferir no sono;
- Comente sintomas como tremores, lentidão, perda de olfato ou alterações de memória. Veja também sinais relacionados à doença de Parkinson.

Como reduzir riscos durante o sono
Enquanto a avaliação é feita, medidas simples ajudam a prevenir acidentes. Retirar objetos cortantes próximos à cama, proteger quinas, afastar móveis e colocar colchão baixo ou proteção lateral pode reduzir o risco de lesões.
Também é importante manter uma rotina regular de sono e evitar automedicação. O tratamento depende da causa, da intensidade dos sintomas e da presença de outras condições, como apneia do sono, ansiedade ou doenças neurológicas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, neurologista ou especialista em sono.









