A cúrcuma usada como tempero na comida não é o foco do alerta. A preocupação está nos suplementos concentrados, especialmente cápsulas e extratos de curcumina, que em 2026 passaram a ter regras mais rígidas da Anvisa após relatos internacionais de lesão grave no fígado.
O que mudou em 2026
A Anvisa atualizou as regras para suplementos com cúrcuma, também chamada de açafrão-da-terra, para ajustar limites de uso e reforçar advertências nos rótulos. A mudança foi motivada por dados de monitoramento pós-mercado sobre possível risco de danos hepáticos.
Segundo a Anvisa, os novos rótulos devem alertar que o produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças, pessoas com doenças hepáticas, biliares ou úlceras gástricas. O tema cúrcuma fígado ganhou destaque porque algumas fórmulas aumentam muito a absorção da curcumina.

Por que a cápsula preocupa
No alimento, a cúrcuma costuma ser usada em pequenas quantidades. Já em cápsulas, pode haver extratos concentrados, doses padronizadas e tecnologias para aumentar a biodisponibilidade, como combinações com piperina ou sistemas de absorção reforçada.
Essas fórmulas podem elevar a exposição do organismo aos curcuminoides, aumentando a chance de efeitos adversos em pessoas suscetíveis. Isso não significa que todo suplemento causará problema, mas reforça que o uso diário e prolongado não deve ser feito sem orientação.
Quem deve evitar
Alguns grupos precisam ter cuidado especial com cápsulas de cúrcuma, porque podem ter maior risco de complicações, interação medicamentosa ou piora de condições já existentes.
- Gestantes, lactantes e crianças;
- Pessoas com doenças no fígado ou exames hepáticos alterados;
- Quem tem pedra na vesícula, obstrução biliar ou colangite;
- Pessoas com úlcera gástrica ou duodenal;
- Quem usa anticoagulantes, imunossupressores ou alguns medicamentos oncológicos.
O que mostra o estudo científico
A preocupação regulatória também conversa com pesquisas recentes sobre lesão hepática associada a suplementos naturais. Embora os casos sejam raros, eles podem ser graves e costumam exigir investigação cuidadosa para excluir outras causas.
Segundo a série de casos Liver Injury Associated with Turmeric-A Growing Problem: Ten Cases from the Drug-Induced Liver Injury Network, publicada no The American Journal of Medicine, a lesão hepática associada à cúrcuma foi geralmente do tipo hepatocelular, apareceu com maior frequência após 1 a 4 meses de uso e teve forte associação com o marcador genético HLA-B*35:01.

Sinais que pedem atendimento
Quem usa cúrcuma em cápsulas deve interromper o produto e procurar avaliação médica se surgirem sinais sugestivos de lesão no fígado, principalmente quando aparecem juntos ou pioram rapidamente.
- Pele ou olhos amarelados;
- Urina muito escura;
- Náuseas, vômitos ou perda de apetite;
- Cansaço intenso sem explicação;
- Dor abdominal, especialmente do lado direito.
Para reduzir riscos, informe ao médico todos os suplementos em uso, evite fórmulas com promessas exageradas e não combine cúrcuma com substâncias para “potencializar” a absorção sem orientação profissional.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.








