Se a criança reclama de dor nas duas pernas ao fim do dia ou durante a noite e amanhece bem, brincando normalmente, esse padrão é comum nas chamadas dores de crescimento. Trata-se de um quadro benigno, sem lesão detectável em exames, que costuma aparecer em episódios ao longo de meses ou anos. Reconhecer as características típicas evita preocupações desnecessárias, mas também ajuda a identificar quando o quadro foge do esperado e precisa de avaliação médica. Sinais como dor em apenas uma perna, inchaço, febre ou dificuldade para caminhar exigem atenção.
O que são as dores de crescimento?
As dores de crescimento são episódios recorrentes de desconforto nos músculos das pernas em crianças em fase de desenvolvimento. Apesar do nome, não há evidências de que estejam ligadas diretamente ao surto de crescimento, e o termo é usado por tradição médica.
São comuns em meninos e meninas entre 3 e 12 anos, com picos entre 3 e 5 anos e entre 8 e 12 anos. Estima-se que afetem entre 10% e 30% das crianças em algum momento, com evolução benigna e resolução espontânea ao longo do tempo.
Por que a dor aparece à noite e melhora pela manhã?
A causa exata ainda não é totalmente conhecida. Entre as hipóteses, estão sobrecarga muscular após atividades intensas durante o dia, menor limiar de dor em algumas crianças e componente familiar. O que se sabe é que a dor é real, embora não exista lesão identificável nos exames.
Ao anoitecer, com menos distrações e o corpo em repouso, a criança percebe mais o desconforto muscular acumulado. Pela manhã, com o descanso, a musculatura se recupera e a dor desaparece, permitindo que a criança retome as brincadeiras normalmente.
Quais são as características típicas do quadro?
Reconhecer o padrão ajuda os pais a identificarem quando a queixa se encaixa nas dores de crescimento. Os principais sinais incluem:
- Dor nas duas pernas, geralmente na frente das coxas, panturrilhas ou atrás dos joelhos
- Início no fim da tarde ou durante a noite, podendo despertar a criança do sono
- Desaparecimento pela manhã, sem dor ou dificuldade para andar, brincar ou correr
- Episódios intermitentes, com dias ou semanas sem qualquer desconforto
- Ausência de inchaço, calor local, vermelhidão ou febre associada
Massagens leves, calor local e apoio emocional costumam trazer alívio nos momentos de dor. O acompanhamento com o pediatra é fundamental para confirmar o padrão e afastar outras causas.
Como um estudo científico define o quadro?
Pesquisas ajudam a estabelecer critérios claros para diferenciar as dores de crescimento de outras condições musculoesqueléticas da infância. Segundo a revisão Growing pains in children, publicada na revista Pediatric Rheumatology, as dores de crescimento são a forma mais comum de dor musculoesquelética episódica na infância e o diagnóstico exige adesão a critérios clínicos bem definidos antes de ser aceito. O trabalho reforça que a evolução é geralmente benigna, mas destaca a importância de excluir outras doenças diante de sinais atípicos, o que orienta a decisão sobre exames complementares e acompanhamento.
Quando o padrão exige avaliação médica?
Alguns sinais fogem do quadro habitual das dores de crescimento e devem chamar atenção dos pais. Nesses casos, é fundamental procurar o pediatra sem demora. Vale ficar atento a:
- Dor concentrada em apenas uma perna ou articulação, sempre no mesmo local
- Inchaço, calor, vermelhidão ou aumento de sensibilidade em joelhos, tornozelos ou coxas
- Febre, cansaço fora do comum, perda de peso ou palidez associados às queixas
- Dificuldade para caminhar, mancar ou fraqueza persistente em uma das pernas
- Dor que continua durante o dia, atrapalha as brincadeiras ou piora com o passar das semanas
Esses sinais podem indicar condições como infecções, lesões ortopédicas, doenças reumatológicas ou outros problemas que exigem investigação e não devem ser confundidos com dor do crescimento. O pediatra poderá avaliar a criança, solicitar exames se necessário e encaminhar a um especialista.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico e o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de confiança diante de sintomas persistentes ou dúvidas sobre sua saúde.








