Cápsulas de óleo de peixe, alho, cúrcuma e levedura vermelha de arroz estão entre os produtos mais vendidos com a promessa de cuidar do coração, mas a nova diretriz de dislipidemias publicada em 2026 tomou uma posição inédita sobre eles. Pela primeira vez, o documento traz uma recomendação formal contrária ao uso de suplemento para colesterol com o objetivo de reduzir o LDL ou os triglicerídeos. O motivo não é apenas a ausência de resultado, mas também o tratamento eficaz que essa escolha acaba adiando.
Por que os suplementos saíram da recomendação
A diretriz classificou esses produtos na categoria de ausência de benefício para reduzir colesterol LDL e triglicerídeos, com base em estudos pequenos e de resultados limitados e inconsistentes. Não se trata de proibição, e sim do reconhecimento de que a evidência disponível não sustenta a promessa do rótulo.
Outro ponto destacado no resumo da diretriz publicado no Journal of the American College of Cardiology é a regulação. Suplementos passam por exigências menores de segurança, eficácia e qualidade de fabricação do que os medicamentos aprovados.

Quais produtos foram avaliados
A análise reuniu justamente os itens mais procurados por quem tenta controlar o colesterol sem remédio. Entre eles estão:
- Óleo de peixe sem prescrição, que não demonstrou benefício clínico e ainda pode elevar o LDL e o risco de fibrilação atrial.
- Levedura vermelha de arroz, alho, cúrcuma e berberina, associados no máximo a reduções modestas e pouco consistentes.
- Canela, que não apresentou redução significativa do colesterol.
- Fitosteróis, que não se firmaram como estratégia de redução do risco cardiovascular.
O que mostra o ensaio clínico que comparou suplementos e estatina
Uma das evidências que embasam essa mudança comparou lado a lado seis suplementos populares, uma estatina em dose baixa e placebo, em adultos com indicação de tratar o colesterol. Segundo o ensaio clínico randomizado Comparative Effects of Low-Dose Rosuvastatin, Placebo, and Dietary Supplements on Lipids and Inflammatory Biomarkers, publicado no Journal of the American College of Cardiology, a diferença entre os grupos foi expressiva.
Em apenas 28 dias, a rosuvastatina de 5 mg reduziu o colesterol LDL em cerca de 38%. Nenhum dos seis suplementos testados, que incluíam óleo de peixe, canela, alho, cúrcuma, fitosteróis e levedura vermelha de arroz, baixou o LDL de forma significativa em comparação com o placebo.
O que passou a ser recomendado no lugar
A orientação atual reforça duas frentes já conhecidas, porém nem sempre levadas a sério. Os tratamentos para baixar o colesterol seguem esta ordem de prioridade:
- Mudanças no estilo de vida como base, incluindo alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso, sono adequado e ausência de tabaco.
- Estatinas como principal medicamento quando os hábitos, sozinhos, não são suficientes.
- Associação de ezetimiba, ácido bempedoico ou inibidores de PCSK9 nos casos que exigem redução maior.
- Reavaliação periódica dos exames para confirmar se a meta foi alcançada.

O que fazer se você já usa algum suplemento
Interromper por conta própria não é necessário, mas vale levar à próxima consulta a lista completa do que você toma. Alguns desses produtos interagem com medicamentos e podem interferir em exames.
A levedura vermelha de arroz, por exemplo, contém uma substância de ação semelhante à das estatinas, em concentração que varia bastante entre as marcas. Por isso, o acompanhamento médico é o que garante segurança e resultado real.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento indicado por um médico.









