Alguns antialérgicos antigos e remédios usados para induzir o sono podem ter efeito anticolinérgico, ou seja, bloqueiam a ação da acetilcolina, substância importante para memória, atenção e funcionamento do cérebro. O alerta ganhou força após estudos ligarem o uso prolongado desses medicamentos a maior risco de demência.
O que é efeito anticolinérgico
Medicamentos anticolinérgicos reduzem a atividade da acetilcolina, um neurotransmissor envolvido em funções como aprendizado, contração muscular, salivação, intestino e bexiga. Por isso, podem causar efeitos como boca seca, sonolência, constipação, visão turva e confusão mental.
O ponto de atenção é que nem todo antialérgico tem o mesmo risco. O alerta costuma envolver principalmente anti-histamínicos de primeira geração, mais sedativos, usados para alergias, resfriados, enjoo ou sono.

O que o estudo científico mostrou
Segundo o estudo de coorte prospectivo Cumulative Use of Strong Anticholinergics and Incident Dementia, publicado no JAMA Internal Medicine, o uso cumulativo mais alto de anticolinérgicos fortes foi associado a maior risco de demência.
A pesquisa acompanhou 3.434 adultos com 65 anos ou mais, sem demência no início. Pessoas com exposição equivalente a cerca de 3 anos ou mais de uso diário tiveram 54% maior risco de demência em comparação com quem teve exposição muito baixa ou nenhuma.
Remédios que merecem atenção
O risco não depende apenas de um comprimido isolado, mas da soma da dose, frequência, tempo de uso e combinação com outros medicamentos que também têm efeito anticolinérgico.
- Antialérgicos antigos, como difenidramina e clorfeniramina;
- Indutores de sono vendidos sem prescrição com anti-histamínicos sedativos;
- Alguns remédios para bexiga hiperativa;
- Alguns antidepressivos tricíclicos;
- Medicamentos para enjoo, náuseas ou vertigem com ação sedativa.
Quem deve ter mais cuidado
Idosos tendem a ser mais sensíveis a esses efeitos, porque metabolizam remédios de forma diferente e podem usar vários medicamentos ao mesmo tempo. Isso aumenta o risco de interação, queda, confusão e sonolência excessiva.
- Pessoas com mais de 60 anos;
- Quem já apresenta lapsos de memória ou confusão;
- Pessoas com histórico de quedas ou tontura;
- Quem usa vários remédios diariamente;
- Pacientes com glaucoma, retenção urinária ou constipação importante.

Como reduzir riscos com segurança
Ninguém deve interromper um medicamento de uso contínuo por conta própria. O mais seguro é revisar a lista de remédios com médico ou farmacêutico, especialmente quando há uso frequente de antialérgicos para dormir, “remédios para resfriado” ou sedativos sem prescrição.
Também pode haver alternativas com menor efeito anticolinérgico, dependendo do caso, além de medidas não medicamentosas para alergia e insônia. Para entender sinais e causas, veja o conteúdo do Tua Saúde sobre demência.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, que deve orientar o uso, a troca ou a suspensão de medicamentos e investigar alterações de memória.









