Uma dor localizada na parte externa do quadril, que piora ao deitar sobre o lado afetado, subir escadas ou ficar muito tempo apoiado em uma perna só, com frequência não tem origem na coluna. O quadro pode corresponder à síndrome dolorosa trocantérica maior, um problema que envolve tendões, bursa e outras estruturas ao redor do trocânter, a proeminência óssea lateral do fêmur. Reconhecer esse padrão específico ajuda a diferenciar a dor de uma hérnia de disco ou ciatalgia e a buscar o tratamento correto, evitando meses de exames desnecessários.
O que é a síndrome dolorosa trocantérica maior?
A síndrome dolorosa trocantérica maior é um conjunto de alterações que afetam as estruturas ao redor do trocânter maior, saliência óssea lateral do fêmur. As principais causas envolvem tendinopatia dos músculos glúteo médio e mínimo, inflamação da bursa trocantérica e alterações da banda iliotibial.
O quadro é mais comum em mulheres entre 40 e 60 anos, corredores e pessoas com fraqueza muscular no quadril. A dor costuma ser confundida com problemas na coluna, o que atrasa o diagnóstico correto e mantém quem sofre em busca de causas nas vértebras lombares, quando o problema está na lateral do quadril.
Como identificar os sintomas?
A dor da síndrome dolorosa trocantérica maior segue um padrão bem característico, que ajuda a diferenciá-la de outras causas de dor no quadril e nas pernas. Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para procurar avaliação ortopédica.
- Dor localizada na parte externa do quadril, no ponto do osso proeminente
- Piora ao deitar sobre o lado afetado, atrapalhando o sono
- Aumento do desconforto ao subir escadas ou levantar de uma cadeira baixa
- Sensibilidade ao toque quando pressiona a região lateral do quadril
- Irradiação para a coxa, descendo pela lateral da perna sem chegar ao pé
- Dor ao ficar em pé apoiado em apenas uma perna por alguns segundos
- Rigidez ao levantar após ficar sentado por longos períodos

Como diferenciar de problema na coluna?
A dor da coluna, especialmente a ciatalgia por hérnia de disco, costuma começar na região lombar e descer pela nádega e pela parte de trás da perna, muitas vezes ultrapassando o joelho e alcançando o pé, com formigamento e dormência. Já a dor trocantérica se concentra na lateral do quadril, com sensibilidade ao apertar o osso do trocânter, sem sinais neurológicos claros abaixo do joelho.
Vale conhecer os sinais do nervo ciático inflamado para diferenciar o padrão de irradiação. Além disso, outras causas de dor articular como a bursite em diferentes regiões do corpo apresentam gatilhos parecidos e ajudam a entender por que a compressão local causa incômodo.
O que dizem os estudos científicos?
Pesquisas em ortopedia confirmam que a dor lateral do quadril raramente vem da coluna e que a síndrome dolorosa trocantérica maior é uma das causas mais frequentes desse sintoma. Segundo o artigo Lateral Hip Pain: Relation to Greater Trochanteric Pain Syndrome, publicado em 2022 no periódico The Permanente Journal, a síndrome afeta cerca de 1,8 a cada 1000 adultos por ano, com predominância de duas a três mulheres para cada homem, e atinge principalmente pessoas entre 40 e 60 anos.
A revisão também aponta que o quadro engloba tendinopatia dos glúteos, bursite trocantérica e alterações da banda iliotibial, e que o diagnóstico é essencialmente clínico, apoiado pela palpação do trocânter e por testes de apoio em uma perna, com exames de imagem usados apenas para descartar outras causas.

Como é feito o tratamento?
O tratamento é predominantemente conservador e tem bons resultados quando iniciado cedo. As principais opções indicadas por ortopedistas incluem:
- Fisioterapia com fortalecimento dos músculos glúteos e alongamento da banda iliotibial
- Ajuste postural, evitando cruzar pernas por tempo prolongado e dormir sobre o lado dolorido
- Uso de travesseiro entre os joelhos ao deitar de lado para reduzir a compressão local
- Anti-inflamatórios orais ou tópicos para alívio da dor em fases agudas
- Compressas frias no local após atividades que desencadeiam o desconforto
- Perda de peso, quando há sobrepeso, para reduzir a sobrecarga sobre o quadril
- Infiltração com corticoide, indicada em casos moderados que não respondem ao tratamento inicial
- Terapia com ondas de choque ou cirurgia, reservadas para casos crônicos e resistentes
Quando a inflamação está mais localizada na bursa, o quadro pode ser tratado como bursite trocantérica, com abordagem semelhante e ênfase no fortalecimento muscular para evitar recidivas. A avaliação com ortopedista especializado em quadril é fundamental para definir a estratégia mais adequada em cada caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Se você apresenta dor persistente na lateral do quadril que piora ao dormir de lado, procure um ortopedista para diagnóstico e tratamento adequados.









