O zumbido no ouvido que surge de repente nem sempre vem apenas de perda auditiva, cera ou exposição a barulho. Em alguns casos, especialmente quando o som parece pulsar junto com os batimentos do coração, ele pode ter relação com alterações nos vasos sanguíneos e com a pressão arterial.
O que é zumbido no ouvido
O zumbido é a percepção de um som sem uma fonte externa. Ele pode parecer apito, chiado, ronco, clique, assobio ou batimento, aparecer em um ou nos dois ouvidos e ser constante ou intermitente.
De acordo com o NIH National Institute on Deafness and Other Communication Disorders, o zumbido é comum em adultos e costuma estar ligado à perda auditiva, mas também pode ocorrer por medicamentos, infecções, cera no ouvido, lesões na cabeça ou no pescoço e problemas nos vasos sanguíneos.
Quando a pressão pode influenciar
A pressão alta pode alterar o fluxo de sangue em vasos próximos ao ouvido, principalmente quando há aterosclerose ou outras alterações vasculares. Isso pode favorecer um tipo de zumbido chamado pulsátil, em que a pessoa percebe um som ritmado, parecido com o coração batendo.
Esse padrão merece atenção porque não é o mesmo que o zumbido contínuo comum. O sintoma também pode aparecer junto de dor de cabeça, tontura, palpitações ou sensação de pressão na cabeça, sinais que justificam medir a pressão e procurar avaliação.

O que diz um estudo científico
Segundo o estudo transversal Positive Association between Tinnitus and Arterial Hypertension, publicado na Frontiers in Neurology, pesquisadores compararam 144 pessoas com zumbido e 140 sem zumbido.
O estudo encontrou maior prevalência de hipertensão no grupo com zumbido, 44,4%, em comparação com 31,4% no grupo sem zumbido. Os autores destacaram, porém, que a associação não prova causa direta e pode envolver perda auditiva, idade, doenças metabólicas e medicamentos.
Sinais que pedem atenção
Algumas características ajudam a diferenciar um zumbido comum de um sintoma que precisa ser investigado com mais rapidez, especialmente quando aparece “do nada”.
- Zumbido pulsátil, sincronizado com os batimentos;
- Zumbido em apenas um ouvido, de início recente;
- Perda auditiva súbita ou sensação de ouvido tampado;
- Tontura intensa, fraqueza, confusão ou alteração visual;
- Pressão arterial muito elevada ou sintomas cardiovasculares.
Na presença desses sinais, a avaliação pode envolver exame do ouvido, medição da pressão, revisão de remédios, testes auditivos e, em alguns casos, exames de imagem.

Como acompanhar com segurança
Se o zumbido no ouvido for frequente, anotar quando aparece pode ajudar o médico a identificar padrões. Vale registrar horário, intensidade, se pulsa, se há estresse, cafeína, álcool, dor de cabeça ou pressão alta no mesmo dia.
- Meça a pressão em repouso, com técnica adequada;
- Evite ajustar remédios por conta própria;
- Proteja os ouvidos de ruídos altos;
- Informe todos os medicamentos em uso;
- Procure atendimento se houver piora súbita.
Para conhecer outras causas possíveis, veja também este guia sobre zumbido no ouvido. Investigar o sintoma ajuda a tratar causas reversíveis e a diferenciar alterações auditivas de problemas vasculares.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









