O ômega-3 é muito associado à saúde cardiovascular, mas nem todos os suplementos parecem agir da mesma forma. A comparação entre EPA DHA mostra que a fórmula, a dose e o perfil da pessoa podem mudar o efeito sobre infarto, mortalidade cardiovascular, arritmias e sangramentos.
O que a metanálise comparou
A análise avaliou estudos com ácidos graxos ômega-3, separando os resultados de formulações com EPA isolado e combinações de EPA+DHA. Essa distinção é importante porque muitos produtos no mercado misturam os dois compostos.
No conjunto geral, o ômega-3 foi associado a menor risco de mortalidade cardiovascular, infarto não fatal, eventos coronarianos, eventos cardiovasculares maiores e revascularização. Porém, o efeito foi mais expressivo nos estudos com EPA isolado.

O estudo científico sobre EPA DHA
Segundo a revisão sistemática e metanálise Effect of omega-3 fatty acids on cardiovascular outcomes, publicada na eClinicalMedicine, do grupo The Lancet, foram avaliados 38 ensaios clínicos randomizados, com 149.051 participantes.
Os autores observaram que a redução de risco foi mais pronunciada com EPA isolado do que com EPA+DHA para mortalidade cardiovascular, infarto não fatal, eventos coronarianos, eventos cardiovasculares maiores e revascularização. A análise também encontrou maior risco de fibrilação atrial e sangramento em alguns grupos.
Onde o EPA saiu na frente
O EPA isolado se destacou principalmente em desfechos ligados à doença coronariana. Isso não significa que qualquer cápsula com EPA terá o mesmo resultado, já que muitos estudos usaram doses altas e formulações específicas.
- Maior redução relativa de infarto não fatal;
- Melhor desempenho em eventos coronarianos;
- Maior efeito sobre eventos cardiovasculares maiores;
- Resultados mais consistentes em pessoas de maior risco;
- Possível aumento de fibrilação atrial em doses mais altas.
Por que nem todo ômega 3 é igual
Suplementos comuns de óleo de peixe costumam trazer EPA e DHA em doses menores e proporções variadas. Já alguns estudos positivos usaram formulações purificadas, com dose controlada e acompanhamento médico.
Além disso, pessoas com triglicerídeos altos, doença cardiovascular prévia ou uso de estatinas podem responder de forma diferente de pessoas saudáveis. Por isso, EPA DHA deve ser interpretado dentro do risco individual, e não como proteção universal.

Como usar essa evidência
Antes de suplementar, é importante olhar exames, histórico cardiovascular, dieta, uso de remédios e risco de arritmias ou sangramentos. Para conhecer funções, fontes e cuidados, veja o guia do Tua Saúde sobre ômega 3.
- Confira a quantidade real de EPA e DHA por dose;
- Não substitua estatina, anti-hipertensivo ou anticoagulante por suplemento;
- Informe o médico se usa anticoagulantes ou tem fibrilação atrial;
- Priorize peixes, azeite, fibras e baixa ingestão de ultraprocessados;
- Discuta doses altas apenas com orientação profissional.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









