Sentir ardência, formigamento ou choques nos pés no fim do dia pode parecer apenas cansaço, mas nem sempre é. Quando esse desconforto piora à noite, aparece com frequência e afeta os dois pés, pode ser um dos primeiros sinais de neuropatia periférica, condição em que os nervos das extremidades sofrem danos progressivos. Reconhecer esses sintomas cedo é fundamental para investigar causas como diabetes, deficiências vitamínicas e outros problemas que exigem tratamento específico.
Por que a queimação piora durante a noite?
Durante o dia, o corpo está em movimento e o cérebro é bombardeado por diversos estímulos, o que reduz a percepção da dor. À noite, com o repouso, essas distrações somem e sensações antes discretas, como ardência ou formigamento, ficam mais evidentes.
Além disso, o calor sob as cobertas, alterações da temperatura da pele e a diminuição do fluxo sanguíneo periférico em algumas posições ajudam a intensificar o desconforto nos pés, quadro típico das neuropatias de pequenas fibras.
Que sintomas devem chamar atenção?
A neuropatia periférica costuma se manifestar de forma sutil no início, com sinais que muitas pessoas atribuem apenas a estresse ou calçados inadequados. Vale ficar atento a:
- Ardência ou queimação nos pés, especialmente à noite ou em repouso.
- Formigamento ou sensação de agulhadas, que costuma começar nos dedos e avançar até o meio do pé.
- Choques repentinos, curtos e desconfortáveis, sem gatilho aparente.
- Dormência ou perda de sensibilidade, o que aumenta o risco de queimaduras e feridas.
- Sensibilidade exagerada ao toque, tornando o contato com o lençol ou a meia incômodo.
- Sensação de peso, frio ou inchaço, mesmo quando não há alteração visível na pele.
- Perda de equilíbrio, especialmente no escuro ou ao andar descalço.

Quais causas mais comuns além do diabetes?
Embora o diabetes seja a causa mais frequente, outras condições também podem lesionar os nervos periféricos e provocar queimação nos pés. Entre elas estão deficiências de vitaminas do complexo B, principalmente B12, alcoolismo, hipotireoidismo, insuficiência renal e alguns tipos de infecção, como HIV e hanseníase.
Também merecem atenção o uso prolongado de certos medicamentos, como quimioterápicos, além de doenças autoimunes, exposição a metais pesados e compressões locais, todas capazes de causar quadros semelhantes aos observados na polineuropatia periférica.
O que diz um estudo científico sobre neuropatia e diabetes?
A relação entre diabetes e lesão dos nervos periféricos é amplamente reconhecida na literatura médica. Segundo a revisão por pares Diabetic neuropathy, publicada na revista Nature Reviews Disease Primers, ao menos metade das pessoas com diabetes desenvolve neuropatia periférica ao longo da vida, com sintomas que começam nos pés e podem incluir queimação, dor, formigamento e perda de sensibilidade.
Os autores destacam que o controle glicêmico adequado tem forte efeito na prevenção da neuropatia em quem tem diabetes tipo 1, e efeito mais modesto no tipo 2, o que reforça a importância de identificar o problema precocemente e cuidar em conjunto de outros fatores metabólicos como obesidade, colesterol e pressão arterial.

Quando procurar avaliação médica?
É recomendado consultar um neurologista, clínico geral ou endocrinologista sempre que a queimação nos pés for persistente, piorar à noite ou vier acompanhada de dormência, feridas, perda de sensibilidade ou dificuldade para andar. O diagnóstico costuma envolver exame clínico, exames de sangue e, em alguns casos, eletroneuromiografia.
Nas pessoas com diabetes, o exame regular dos pés é essencial para prevenir complicações como o pé diabético, feridas de difícil cicatrização e infecções graves. Somente um profissional de saúde pode avaliar corretamente cada caso, identificar a causa dos sintomas e indicar o tratamento mais adequado, que pode incluir controle glicêmico, reposição de vitaminas, medicamentos para dor neuropática e cuidados diários com os pés.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









