O jejum alternado voltou ao centro das discussões científicas após uma rede de meta-análises indicar que a versão modificada, feita em dias alternados, teve melhor desempenho na redução de peso, cintura e pressão arterial. O resultado chama atenção, mas não significa que a estratégia sirva para todos ou que deva ser iniciada sem orientação.
O que é jejum em dias alternados
O jejum em dias alternados intercala dias de maior restrição alimentar com dias de alimentação habitual. Na versão modificada, a pessoa não fica necessariamente sem comer, mas consome uma quantidade bem menor de calorias no dia de restrição.
Esse formato é diferente do jejum com janela de horários, como o modelo 16:8, em que a alimentação é concentrada em algumas horas do dia. No jejum alternado, o foco principal é a alternância entre dias, não apenas o relógio.
O que o estudo científico mostrou
Segundo a revisão sistemática com network meta-analysis Intermittent Fasting for the Prevention of Cardiovascular Disease Risks: Systematic Review and Network Meta-Analysis, publicada em 2025 na Current Nutrition Reports, foram analisados 56 estudos sobre diferentes métodos de jejum intermitente e fatores de risco cardiovascular.
Com alta certeza de evidência, o jejum alternado modificado foi o método mais eficaz, em comparação à dieta habitual, para reduzir peso corporal, circunferência da cintura, pressão sistólica e pressão diastólica. As quedas estimadas foram de 5,18 kg no peso, 3,55 cm na cintura, 7,24 mmHg na pressão sistólica e 4,70 mmHg na diastólica.

Por que cintura e pressão importam
A circunferência da cintura é um marcador simples de gordura abdominal, que costuma se relacionar com maior risco metabólico. Já a pressão arterial elevada aumenta a sobrecarga sobre vasos, coração, cérebro e rins.
- Menor cintura pode indicar redução de gordura abdominal;
- Menor pressão sistólica reduz a carga sobre as artérias;
- Menor pressão diastólica pode favorecer o controle cardiovascular;
- Perda de peso pode melhorar resistência à insulina;
- Menos beliscos pode reduzir excesso calórico;
- Resultados dependem da qualidade da dieta.
Para entender melhor os formatos e cuidados, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre jejum intermitente.
Quem deve evitar sem orientação
Apesar dos resultados promissores, o jejum alternado pode ser difícil de manter e causar efeitos indesejados em pessoas mais sensíveis a longos períodos de restrição alimentar.
- Pessoas com diabetes que usam insulina ou remédios que baixam glicose;
- Gestantes, lactantes, idosos frágeis e adolescentes;
- Quem tem histórico de transtorno alimentar;
- Pessoas com doença renal, hepática ou cardíaca avançada;
- Quem apresenta tontura, tremores, desmaios ou compulsão;
- Pacientes que usam medicamentos em horários dependentes de refeições.

Como interpretar o resultado
A rede de meta-análises sugere que o jejum alternado modificado pode ser uma ferramenta útil para reduzir alguns fatores de risco cardiovascular, principalmente peso, cintura e pressão. Ainda assim, os próprios autores destacam a necessidade de ensaios clínicos randomizados mais longos para confirmar eficácia e segurança ao longo do tempo.
Na prática, a melhor estratégia é aquela que melhora os exames sem piorar sono, humor, relação com a comida ou adesão ao tratamento. Para muitas pessoas, uma rotina alimentar equilibrada, rica em proteínas magras, fibras, frutas, legumes, grãos integrais e menor consumo de ultraprocessados pode ser mais sustentável.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









