Reduzir ultraprocessados pode fazer diferença além do peso. Um ensaio clínico de 2025 observou que limitar esses alimentos a uma pequena parte da dieta, junto com restrição calórica, teve efeitos modestos, mas positivos, em bactérias associadas à saúde da microbiota intestinal em pessoas com obesidade.
Ultraprocessados microbiota e obesidade
A relação entre ultraprocessados microbiota preocupa porque esses produtos costumam ter muito açúcar, gordura, sal, aditivos e pouca fibra. Esse padrão pode reduzir a oferta de nutrientes usados por bactérias benéficas do intestino.
Quando frutas, verduras, feijões, aveia e alimentos minimamente processados perdem espaço, a microbiota pode ficar menos diversa e menos funcional. Isso pode influenciar digestão, saciedade, inflamação e metabolismo.
O estudo científico de 2025
Segundo a análise secundária de um ensaio clínico randomizado Effects of dietary energy restriction of ultra-processed foods compared to a generic energy restriction on the intestinal microbiota of individuals with obesity, publicada na revista Food & Function, adultos com obesidade foram acompanhados por 6 meses.
Os participantes foram divididos entre restrição calórica geral e restrição calórica com ultraprocessados limitados a 5% do consumo total. Ao final, 34 pessoas tiveram dados completos de fezes analisados por sequenciamento do gene 16S rRNA.

O que mudou no intestino
O estudo mostrou redução do consumo de ultraprocessados no grupo intervenção e melhora de composição corporal em ambos os grupos. Na microbiota, os efeitos foram considerados positivos, mas limitados no curto e médio prazo.
- A diversidade alfa aumentou em níveis como filo e família nos dois grupos;
- Houve leve redução da diversidade no nível de gênero;
- A família Ruminococcaceae aumentou mais no grupo com restrição de ultraprocessados;
- O gênero Faecalibacterium, associado à produção de compostos protetores, também aumentou mais nesse grupo.
Como reduzir sem radicalismo
Cortar ultraprocessados para 5% da dieta é uma meta rigorosa e pode não ser realista para todos. Mesmo assim, o estudo reforça que diminuir a presença desses produtos já pode abrir espaço para alimentos que nutrem melhor a microbiota.
- Trocar refrigerante e sucos artificiais por água, água com gás ou chá sem açúcar;
- Substituir biscoitos, salgadinhos e doces por frutas, iogurte natural ou castanhas;
- Preferir arroz, feijão, ovos, carnes frescas, legumes e verduras no dia a dia;
- Observar rótulos com muitos aditivos, corantes, emulsificantes e aromatizantes.
Para reconhecer melhor esses produtos, veja exemplos de alimentos ultraprocessados e formas simples de reduzir o consumo.

O que esse achado muda
O principal recado é que emagrecer não depende apenas de contar calorias. A qualidade dos alimentos também parece influenciar a microbiota, especialmente quando a dieta passa a oferecer mais fibras, compostos vegetais e refeições menos industrializadas.
Ainda assim, o estudo teve poucos participantes com dados completos e não prova que reduzir ultraprocessados, sozinho, corrija a microbiota. Para pessoas com obesidade, o ideal é combinar alimentação ajustada, atividade física, sono, manejo do estresse e acompanhamento profissional.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









