O jejum 16/8 combinado com uma dieta vegetariana com ovos e laticínios mostrou benefícios para pessoas com fígado gorduroso associado ao metabolismo. Em 12 semanas, a estratégia melhorou peso, cintura, enzimas do fígado e marcadores ligados à resistência à insulina, mas os resultados ainda precisam ser confirmados em estudos maiores.
Como o jejum 16/8 atua no fígado gorduroso
No jejum 16/8, a pessoa concentra as refeições em uma janela de 8 horas e passa as outras 16 horas sem comer, consumindo apenas líquidos sem calorias. A proposta é reduzir beliscos, melhorar a organização alimentar e facilitar o déficit calórico.
Quando combinado com uma dieta rica em vegetais, frutas, leguminosas, fibras e alimentos menos calóricos, esse padrão pode ajudar a reduzir gordura corporal e melhorar o metabolismo. Isso é importante porque o fígado gorduroso costuma estar ligado a excesso de peso, triglicerídeos altos e resistência à insulina.

O que o estudo científico de 2025 mostrou
Segundo o ensaio clínico randomizado Effects of time restricted feeding combined with Lacto Ovo vegetarian diet on metabolic associated fatty liver disease management, publicado na Scientific Reports, da Nature, 46 adultos com sobrepeso ou obesidade e doença hepática gordurosa metabólica foram divididos em dois grupos por 12 semanas.
O grupo que fez jejum 16/8 com dieta lacto-ovo-vegetariana teve maior redução de peso, IMC, circunferência da cintura, ALT, GGT, triglicerídeos, insulina e índice de gordura no fígado. O HOMA-IR, usado para estimar resistência à insulina, caiu 38,3% nesse grupo, embora a diferença entre os grupos tenha ficado no limite da significância estatística.
Principais achados para a saúde
Os resultados sugerem que a combinação pode atuar em várias frentes ao mesmo tempo, principalmente por reduzir a ingestão calórica, aumentar fibras e melhorar marcadores metabólicos ligados ao fígado.
- Redução de 8,07 kg no peso médio do grupo de intervenção;
- Diminuição de 8 cm na circunferência da cintura;
- Queda de 50,1% na ALT, enzima ligada a lesão hepática;
- Redução de 36,2% no Fatty Liver Index, indicador de gordura no fígado;
- Melhora dos triglicerídeos e aumento do HDL, o colesterol “bom”.
Cuidados antes de tentar
Apesar dos benefícios, o jejum não é indicado para todas as pessoas. Quem tem diabetes, usa insulina ou remédios que podem causar hipoglicemia, está grávida, amamenta ou tem histórico de transtornos alimentares deve ter acompanhamento profissional.
- Evite iniciar jejuns longos sem avaliação médica ou nutricional;
- Não compense a janela de jejum com excesso de ultraprocessados;
- Priorize refeições com proteínas, fibras e gorduras boas;
- Interrompa a prática se houver tontura, fraqueza intensa ou desmaio;
- Mantenha exames de glicose, colesterol e enzimas do fígado em dia.

O que levar para a rotina
Para quem tem gordura no fígado, o jejum 16/8 pode ser uma ferramenta útil quando associado a uma alimentação de boa qualidade. No entanto, o efeito observado no estudo provavelmente veio da combinação entre janela alimentar, redução de calorias, mais fibras e perda de peso.
Isso significa que o horário das refeições pode ajudar, mas não substitui os pilares do tratamento: emagrecimento gradual, atividade física, sono adequado, menor consumo de álcool e controle de glicose, triglicerídeos e pressão arterial.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









