Sentir uma dor forte no peito, acompanhada de falta de ar e suor frio, é um dos alertas mais clássicos de infarto agudo do miocárdio e nunca deve ser ignorada. Esse conjunto de sintomas surge quando parte do músculo cardíaco deixa de receber oxigênio por causa de uma obstrução em uma artéria coronária. Reconhecer os sinais nos primeiros minutos e chamar o SAMU pelo 192 sem demora aumenta significativamente as chances de sobrevivência e reduz o risco de sequelas permanentes.
O que acontece durante um infarto?
O infarto ocorre quando uma artéria coronária, responsável por levar sangue ao coração, fica total ou parcialmente bloqueada, geralmente por uma placa de gordura ou um coágulo. Sem oxigênio, as células do músculo cardíaco começam a morrer em poucos minutos.
Quanto mais tempo passa até o atendimento, maior é a área do coração comprometida, o que aumenta o risco de arritmias graves, insuficiência cardíaca e morte súbita. Por isso, cardiologistas costumam dizer que, no infarto, tempo é músculo.
Quais são os sinais clássicos que exigem atenção imediata?
A combinação de sintomas é o que aumenta a suspeita de infarto. Fique atento aos sinais abaixo, especialmente quando aparecem juntos e persistem por mais de 20 minutos.
- Dor ou pressão no peito, em forma de aperto ou peso, no centro ou no lado esquerdo do tórax;
- Irradiação da dor para o braço esquerdo, ombro, pescoço, mandíbula ou costas;
- Falta de ar, mesmo em repouso;
- Suor frio, palidez ou pele pegajosa;
- Náuseas, vômitos ou tontura;
- Sensação de mal-estar intenso ou de morte iminente;
- Palpitações ou batimentos cardíacos irregulares.

Como um estudo científico confirma que cada minuto conta?
A rapidez no atendimento é o fator mais decisivo para preservar o músculo cardíaco após um infarto. Segundo a metanálise Time-to-reperfusion in Patients with Acute Myocardial Infarction and Mortality in Prehospital Emergency Care Meta-Analysis, publicada no periódico BMC Emergency Medicine e indexada ao PubMed, a análise de mais de 71 mil pacientes mostrou que quem recebeu tratamento em até 120 minutos após o início dos sintomas apresentou risco de morte 31% menor em comparação aos que foram atendidos depois desse intervalo. O estudo reforça a importância de acionar o serviço de emergência rapidamente e não tentar deslocamento por meios próprios, já que a equipe do SAMU inicia o atendimento ainda no local e prepara o hospital para agilizar o procedimento de desobstrução da artéria.
Os sintomas podem ser diferentes em mulheres, idosos e diabéticos?
Sim, e essa é uma das principais razões pelas quais o diagnóstico costuma demorar mais nesses grupos. Em mulheres, o infarto pode se manifestar como cansaço extremo, desconforto no estômago, dor no ombro direito, enjoo ou sensação de queimação no peito, sem a dor intensa clássica.
Em idosos e pessoas com diabetes, a percepção da dor tende a ser reduzida, o que favorece o chamado infarto silencioso. Nesses casos, sintomas discretos como falta de ar, cansaço súbito e mal-estar já são motivo suficiente para procurar avaliação médica imediata.

O que fazer diante da suspeita de infarto?
Diante da suspeita, cada segundo faz diferença. Siga os passos abaixo enquanto aguarda o socorro, sem tentar dirigir até o hospital por conta própria.
- Ligue imediatamente para o SAMU 192 ou para os Bombeiros pelo 193;
- Mantenha a pessoa sentada ou semideitada, em local arejado, sem esforço físico;
- Afrouxe roupas apertadas como gravatas, cintos ou botões do colarinho;
- Ajude a manter a calma, incentivando respirações lentas e profundas;
- Não ofereça água, alimentos ou medicamentos por conta própria, exceto se a pessoa já tiver orientação médica prévia;
- Fique atento ao nível de consciência e à respiração enquanto o socorro não chega;
- Inicie manobras de reanimação cardiopulmonar se a pessoa perder a consciência e parar de respirar, seguindo as orientações do atendente do SAMU.
Conhecer os primeiros socorros no infarto pode salvar a vida de familiares, amigos ou até de desconhecidos. Fatores como hipertensão, colesterol alto, diabetes, tabagismo, obesidade e histórico familiar aumentam o risco cardiovascular e reforçam a importância de acompanhamento regular com cardiologista, especialmente após os 40 anos.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Diante de qualquer sinal sugestivo de infarto, ligue imediatamente para o SAMU 192 e procure atendimento de emergência.









