O corte do lateral-direito Wesley da Seleção Brasileira, poucos dias antes da estreia na Copa do Mundo de 2026, chamou atenção para uma das lesões mais comuns e temidas do futebol de alto rendimento. O jogador da Roma sofreu uma lesão grau 3 no músculo adutor da coxa esquerda durante o amistoso contra o Egito, quadro que envolve ruptura significativa das fibras musculares e exige um tempo prolongado de recuperação. Entender essa lesão ajuda a compreender por que ela é tão frequente entre jogadores profissionais e por que o retorno precoce aos gramados é considerado um dos principais fatores de risco para novas contusões.
O que é a lesão no músculo adutor da coxa?
Os adutores formam um grupo de músculos localizados na parte interna da coxa e são responsáveis por aproximar a perna em relação ao eixo do corpo, além de estabilizar o quadril durante movimentos rápidos. A lesão acontece quando essas fibras sofrem estiramento excessivo ou ruptura.
No caso de Wesley, o diagnóstico foi de lesão grau 3, considerada a mais grave dentro da classificação de distensão muscular, pois envolve ruptura ampla das fibras e, em alguns casos, comprometimento do tendão, exigindo afastamento prolongado e reabilitação cuidadosa.
Qual a função dos adutores em jogadores de futebol?
Os adutores desempenham papel central em movimentos típicos do futebol, como mudanças bruscas de direção, arrancadas, desacelerações e chutes cruzados. Eles estabilizam o quadril e transferem força entre o tronco e os membros inferiores durante cada disputa de bola.
Justamente por atuarem em gestos explosivos e repetitivos, esses músculos ficam sob alta tensão em jogos de intensidade elevada. Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, a combinação de fadiga, contato físico e mudanças rápidas de trajetória torna a região da virilha uma das mais vulneráveis a rupturas em atletas profissionais.

Por que a região é vulnerável em jogos de alta intensidade?
Diversos fatores tornam o adutor especialmente suscetível a lesões durante partidas exigentes, sobretudo quando o jogador precisa alternar entre velocidade máxima e paradas súbitas. Os principais motivos incluem:
- Alto volume de mudanças de direção: forçam os adutores a contrair e alongar rapidamente, gerando microtraumas repetidos.
- Contração excêntrica intensa: ocorre em desacelerações e chutes cruzados, aumentando o risco de ruptura das fibras.
- Fadiga muscular acumulada: reduz a capacidade do músculo de absorver impacto ao longo da partida.
- Desequilíbrios entre adutores e abdutores: geram sobrecarga na parte interna da coxa em disputas de bola.
- Aquecimento inadequado: deixa o músculo menos preparado para explosões de força no início do jogo.
- Histórico de lesões prévias: aumenta significativamente a chance de nova ruptura na mesma região.
O que diz o estudo científico sobre prevenção da lesão nos adutores?
A prevenção da distensão na virilha ganhou destaque nos últimos anos com pesquisas voltadas ao fortalecimento específico dos adutores. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte apontam o trabalho de força excêntrica como estratégia central para reduzir a incidência do problema em atletas.
Segundo o estudo The Adductor Strengthening Programme prevents groin problems among male football players, publicado no British Journal of Sports Medicine, um programa simples de fortalecimento com o exercício Copenhagen Adduction reduziu de forma significativa a prevalência e o risco de lesões na virilha em jogadores de futebol masculino.

Como funciona o tratamento e a prevenção da lesão nos adutores?
A recuperação de uma lesão grau 3 costuma variar de 8 a 12 semanas e exige acompanhamento multidisciplinar para evitar recidivas. Já a prevenção depende de um trabalho consistente durante toda a temporada. As principais estratégias envolvem:
- Repouso e controle inicial da dor: aplicação de gelo, compressão e elevação da perna nas primeiras 48 horas.
- Fisioterapia progressiva: foco em mobilidade, alongamento e recuperação gradual da amplitude de movimento.
- Fortalecimento excêntrico específico: exercícios como o Copenhagen Adduction aumentam a resistência das fibras musculares.
- Trabalho de estabilidade do core: melhora a transferência de força e reduz sobrecarga sobre a coxa interna.
- Retorno gradual aos gestos esportivos: só após recuperação completa de força, potência e confiança na região.
- Aquecimento estruturado antes dos jogos: prepara os músculos para arrancadas e mudanças bruscas de direção.
Vale reforçar que respeitar cada fase da reabilitação é essencial para evitar novas rupturas, já que uma lesão muscular na coxa mal recuperada pode se tornar crônica e comprometer o desempenho a longo prazo. Diante de qualquer dor persistente na região da virilha, é fundamental procurar um médico ortopedista ou especialista em medicina esportiva para avaliação e conduta individualizadas.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um médico ou profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um especialista diante de qualquer sintoma ou lesão.









