O atacante francês Hugo Ekitiké, do Liverpool, sofreu uma ruptura completa do tendão de Aquiles durante partida da Champions League contra o Paris Saint-Germain e está fora da Copa do Mundo de 2026. A lesão é uma das mais temidas no esporte de alto rendimento e também aparece com frequência em corredores amadores, com recuperação que passa dos seis meses e, em grande parte dos casos, exige cirurgia. Entender o que acontece no tendão calcâneo ajuda a reconhecer sinais e reduzir riscos no dia a dia.
O que é o tendão de Aquiles e qual é a sua função?
O tendão de Aquiles, também chamado de tendão calcâneo, é o mais espesso e resistente do corpo humano. Ele conecta os músculos da panturrilha (gastrocnêmio e sóleo) ao osso do calcanhar e permite o impulso durante caminhadas, corridas e saltos.
Ele suporta cargas várias vezes superiores ao peso corporal a cada passo, o que o torna essencial para o movimento, mas também vulnerável em situações de esforço súbito e mudanças bruscas de direção, comuns no futebol.
Como acontece a ruptura e o famoso estalo?
A ruptura costuma ocorrer quando o tendão é submetido a uma força súbita e intensa, como em arrancadas, aterrissagens ou desacelerações rápidas. No caso de Ekitiké, o próprio jogador escorregou sem contato com adversário, o que ilustra bem esse mecanismo.
No momento da lesão, é comum ouvir um estalo alto, semelhante a um tiro seco, seguido de dor intensa atrás do tornozelo e incapacidade de ficar na ponta do pé, sinais clássicos da ruptura do tendão de Aquiles.

Quais são os principais sinais e fatores de risco?
A lesão pode ser total ou parcial e apresenta sintomas bastante característicos. Materiais da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia destacam os seguintes sinais:
- Dor súbita e intensa na parte de trás do tornozelo ou da panturrilha;
- Estalo audível no momento da lesão, descrito como um tiro;
- Sensação de ter sido chutado ou atingido por uma pedra na região;
- Inchaço e hematoma logo acima do calcanhar;
- Depressão palpável no local, indicando afastamento das extremidades do tendão;
- Dificuldade para andar, empurrar o pé ou ficar na ponta dos dedos.
Por que a cirurgia é frequente e a recuperação passa dos seis meses?
Em rupturas totais, especialmente em atletas de alto rendimento, o tratamento cirúrgico costuma ser preferido para unir as extremidades do tendão e reduzir o risco de novas rupturas. Após o procedimento, o retorno esportivo pleno geralmente leva de 9 a 12 meses.
A reabilitação é longa e passa por fases de imobilização, retorno gradual da carga, ganho de amplitude, fortalecimento da panturrilha e trabalho neuromuscular. Pular etapas aumenta o risco de nova ruptura e sequelas permanentes.
O que dizem os estudos sobre cirurgia versus tratamento conservador?
A literatura ortopédica investiga há décadas qual a melhor abordagem. A revisão sistemática e metanálise Surgical Treatment Versus Conservative Management for Acute Achilles Tendon Rupture, publicada no Journal of Foot and Ankle Surgery e indexada no PubMed, comparou os desfechos das duas estratégias em ensaios clínicos randomizados.
Os autores concluíram que o tratamento cirúrgico reduz significativamente o risco de nova ruptura, embora com maior taxa de complicações locais, enquanto o tratamento conservador apresenta menos complicações mas maior chance de rerruptura, justificando a escolha cirúrgica em atletas profissionais.

Por que essa lesão é tão temida por atletas e corredores amadores?
Casos como o de Ekitiké, David Beckham, Kobe Bryant e Kevin Durant mostram por que a ruptura do tendão de Aquiles marca carreiras. Além do tempo prolongado fora dos treinos, o risco de perda de potência, velocidade e explosão muscular é real. Para reduzir o risco em corredores amadores, algumas medidas são fundamentais:
- Fazer aquecimento e alongamento antes das atividades físicas;
- Aumentar volume e intensidade dos treinos de forma gradual;
- Fortalecer panturrilhas e musculatura posterior das pernas;
- Usar calçados adequados ao tipo de pisada e à modalidade praticada;
- Respeitar dias de descanso para permitir a recuperação dos tecidos;
- Investigar precocemente dores persistentes no calcanhar ou na panturrilha.
Dor persistente na região do calcanhar, principalmente em quem retomou atividade física após um período parado, merece avaliação médica. Uma tendinite de Aquiles não tratada pode enfraquecer o tendão e aumentar o risco de ruptura futura.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Diante de dor persistente no tendão de Aquiles ou suspeita de lesão, procure um ortopedista para diagnóstico e tratamento adequados.









