Sentir formigamento, dormência ou queimação nos pés e nas mãos com frequência nem sempre é resultado de má posição ou má circulação. Quando esses sintomas se repetem, especialmente em pessoas com diabetes ou pré-diabetes, podem ser um sinal de alerta para a neuropatia diabética, uma das complicações mais comuns e silenciosas do açúcar alto no sangue. Reconhecer o problema cedo e agir rápido é essencial para proteger os nervos e evitar feridas, infecções e até amputações no futuro.
O que é a neuropatia diabética
A neuropatia diabética é uma lesão dos nervos periféricos causada pelo excesso prolongado de glicose no sangue. Ao longo dos anos, a hiperglicemia danifica as fibras nervosas e os pequenos vasos que as nutrem, o que altera a transmissão dos impulsos e gera sensações anormais nas mãos, pernas e pés.
Como os nervos mais longos são atingidos primeiro, os sintomas costumam começar nos dedos dos pés e avançar de forma simétrica em direção às pernas. Trata-se de uma das principais complicações da diabetes e pode aparecer antes mesmo do diagnóstico formal da doença.
Quais sintomas merecem atenção?
Os sinais iniciais costumam ser sutis, aparecer à noite ou em repouso, e passam despercebidos por meses. Ficar atento a padrões que se repetem em ambos os lados do corpo ajuda a suspeitar da neuropatia ainda em fase inicial. Entre os sintomas mais frequentes estão:
- Formigamento ou sensação de alfinetes nos pés e mãos
- Dormência e perda de sensibilidade ao toque
- Queimação ou pontadas, principalmente à noite
- Sensação de choque ou frio nas extremidades
- Dor que aparece em repouso e melhora com o movimento
- Fraqueza muscular e dificuldade de equilíbrio
- Feridas, calos ou bolhas nos pés que passam despercebidos

Como um estudo científico reforça a importância do controle glicêmico
A melhor estratégia contra a neuropatia diabética ainda é a prevenção, com controle rigoroso da glicose ao longo do tempo. Segundo o estudo Diabetic Neuropathy: A Position Statement by the American Diabetes Association, publicado na revista Diabetes Care, cerca de 50% das pessoas com diabetes desenvolvem alguma forma de neuropatia periférica ao longo da vida, e até metade dos casos permanece assintomática, o que aumenta o risco de lesões silenciosas nos pés.
Os autores destacam que a otimização precoce do controle glicêmico pode prevenir ou retardar a progressão da neuropatia, especialmente no diabetes tipo 1, e reforçam que o rastreio regular deve ser feito desde o diagnóstico, mesmo em pacientes sem queixas evidentes.
O que fazer diante dos primeiros sinais
Ao perceber formigamento persistente ou perda de sensibilidade, o passo mais importante é procurar um clínico geral, endocrinologista ou neurologista para investigar a causa. O médico costuma avaliar a sensibilidade dos pés com um monofilamento, o reflexo do tornozelo, e solicitar exames como glicemia de jejum, hemoglobina glicada e, em alguns casos, eletroneuromiografia.
Em paralelo, é essencial reforçar o controle do diabetes, revisar a alimentação, praticar atividade física regular e ajustar a medicação com orientação profissional para manter a glicose dentro das metas individuais.

Cuidados diários para proteger os pés e os nervos
Com a perda de sensibilidade, pequenos machucados podem passar despercebidos e evoluir para infecções graves, aumentando o risco de pé diabético. Adotar uma rotina de cuidados simples faz grande diferença na prevenção de complicações. Recomenda-se:
- Inspecionar os pés todos os dias, procurando cortes, bolhas ou vermelhidão
- Lavar e secar bem os pés, principalmente entre os dedos
- Hidratar diariamente, sem passar creme entre os dedos
- Cortar as unhas retas e evitar retirar cutículas
- Usar calçados confortáveis, fechados e sem costuras internas
- Nunca andar descalço, mesmo em casa
- Controlar pressão arterial, colesterol e evitar o cigarro
- Praticar atividade física regular, com orientação médica
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Diante de formigamento, dormência ou perda de sensibilidade nas mãos ou nos pés, procure orientação de um clínico geral, endocrinologista ou neurologista para diagnóstico e tratamento adequados.









