A perda de olfato depois de uma gripe ou resfriado pode parecer apenas uma fase da infecção, mas nem sempre melhora junto com a tosse, a coriza ou o nariz entupido. Em algumas pessoas, o cheiro demora semanas para voltar ou passa a ser percebido de forma distorcida, como odores ruins em alimentos antes considerados normais.
Por que o olfato pode demorar a voltar
Infecções respiratórias podem inflamar a mucosa do nariz e afetar a região responsável por captar os cheiros. Mesmo depois da melhora dos sintomas principais, essa área pode continuar sensível ou em recuperação.
Segundo o NIDCD/NIH, alterações no olfato podem afetar a qualidade de vida e devem ser avaliadas por um médico, especialmente quando persistem ou surgem sem explicação clara.
Sinais que merecem atenção
A alteração do olfato pode aparecer de formas diferentes. Algumas pessoas deixam de sentir cheiros, enquanto outras percebem odores fracos, estranhos ou desagradáveis.
- Perda de olfato total ou parcial após gripe, resfriado ou COVID-19.
- Cheiros distorcidos, como café, carne ou perfume com odor ruim.
- Sensação de cheiro fantasma, mesmo sem fonte aparente.
- Dificuldade para perceber fumaça, gás, comida estragada ou produtos químicos.
- Alteração do paladar, já que cheiro e sabor trabalham juntos.

O que diz um estudo científico
A recuperação do olfato após infecções virou tema de pesquisa porque o sintoma pode persistir e afetar alimentação, segurança e bem-estar emocional. Uma das estratégias estudadas é o treinamento olfativo, feito com exposição repetida a cheiros específicos.
Segundo o estudo randomizado multicêntrico Olfactory training is helpful in postinfectious olfactory loss, publicado no The Laryngoscope, o treinamento olfativo foi associado à melhora da função do olfato em pessoas com perda olfativa pós-infecciosa.
O que pode ajudar na rotina
Algumas medidas podem reduzir riscos enquanto o olfato não volta ao normal. Elas não substituem a avaliação, mas ajudam a lidar com a perda ou distorção dos cheiros no dia a dia.
- Verificar validade e aparência dos alimentos antes de comer.
- Usar detectores de fumaça e gás em casa, quando possível.
- Evitar produtos com cheiro forte sem boa ventilação.
- Manter hidratação e cuidados com rinite, sinusite ou congestão nasal.
- Conversar com um médico sobre treinamento olfativo, quando indicado.
Para entender outras causas possíveis, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre perda de olfato.

Quando procurar avaliação
Procure um otorrinolaringologista se a alteração durar mais de algumas semanas, piorar, voltar repetidamente ou vier acompanhada de dor de cabeça intensa, sangramento nasal, obstrução de um lado do nariz, perda de memória, convulsões ou outros sintomas neurológicos.
O médico pode avaliar infecções recentes, alergias, sinusite, pólipos nasais, medicamentos e outras causas. Também pode orientar exames e cuidados específicos para diferenciar uma recuperação lenta de um problema que precisa de tratamento.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









