A Mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, é uma doença viral rara que voltou a ganhar atenção mundial após surtos registrados em diversos países fora da África, onde o vírus era tradicionalmente encontrado. Causada pelo vírus Monkeypox (MPXV), a doença provoca sintomas como febre, dor muscular e, principalmente, bolhas e feridas na pele que podem ser dolorosas e coçar bastante. Embora a maioria dos casos seja leve e se resolva em algumas semanas, conhecer os sinais, as formas de transmissão e as medidas de prevenção é fundamental para evitar a propagação e buscar atendimento no momento certo.
Principais sintomas da Mpox e como reconhecê-los
Principais Sintomas da Mpox
Os sintomas da Mpox geralmente aparecem entre 5 e 21 dias após o contato com o vírus e costumam durar de duas a três semanas. Os sinais abaixo são os mais relatados em pacientes infectados.
Lesões na pele
Bolhas e feridas que começam geralmente no rosto e na boca e podem se espalhar pelo corpo, incluindo palmas das mãos, região genital e área anal.
Febre e calafrios
Surgem frequentemente nos primeiros dias da infecção, acompanhados de sensação de mal-estar geral.
Dor muscular e dor de cabeça
Sintomas iniciais comuns que podem ser confundidos com uma gripe intensa.
Ínguas (linfonodos inchados)
O aumento dos gânglios linfáticos é um dos sinais mais característicos da Mpox e ajuda a diferenciá-la de outras doenças de pele.
Cansaço e dor nas costas
Podem acompanhar o quadro desde o início, contribuindo para sensação de fadiga intensa.
Em casos mais raros e graves, especialmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido, a doença pode evoluir para complicações como pneumonia ou encefalite. A Mpox também pode ser confundida com herpes, sífilis, catapora ou molusco contagioso, e por isso a avaliação médica é essencial para o diagnóstico correto.
Como a Mpox é transmitida
A transmissão do vírus acontece principalmente pelo contato direto com as lesões de pele ou com o líquido das bolhas de uma pessoa infectada. Além disso, secreções respiratórias liberadas ao tossir ou falar também podem transmitir o vírus, desde que haja contato próximo e prolongado. Objetos contaminados, como toalhas, roupas de cama e utensílios pessoais, também representam risco.
Segundo a Drª Sylvia Hinrichsen, infectologista (CRM 6522-PE) e revisora médica do conteúdo sobre Mpox, a pessoa infectada é considerada transmissora desde o início dos sintomas até a cicatrização completa de todas as lesões e formação de pele nova. A presença de feridas na região genital aumenta a possibilidade de transmissão durante relações sexuais, e em gestantes há risco de transmissão para o bebê por meio da placenta. Por isso, o isolamento durante todo o período de lesões ativas é uma das medidas mais importantes para conter a disseminação do vírus.
Revisão sistemática mostra como os sintomas da Mpox têm mudado ao longo das décadas
A compreensão sobre a Mpox evoluiu significativamente nos últimos anos, e a ciência tem registrado mudanças importantes no perfil clínico da doença. Uma revisão sistemática com meta-análise intitulada “Integrated Network Analysis of Symptom Clusters Across Monkeypox Epidemics From 1970 to 2023”, publicada na revista JMIR Public Health and Surveillance em 2024, analisou dados de surtos ocorridos ao longo de mais de cinco décadas.
Os pesquisadores identificaram que, embora as lesões de pele permaneçam como o sintoma mais constante, a prevalência de outros sinais — como febre e dor muscular — diminuiu nos surtos mais recentes. Além disso, a correlação entre diferentes sintomas se tornou mais complexa, indicando que o perfil clínico da Mpox está se diversificando. Esses achados reforçam a necessidade de vigilância contínua e atualização dos critérios de diagnóstico. O estudo completo pode ser acessado aqui.

Como é feito o tratamento da Mpox
Na maioria dos casos, a Mpox não exige tratamento específico — o próprio sistema imunológico elimina o vírus em cerca de quatro semanas. O tratamento é focado no alívio dos sintomas, com uso de analgésicos e antitérmicos prescritos pelo médico. Durante esse período, é fundamental que a pessoa permaneça em isolamento para evitar transmitir a doença a outras pessoas.
Em casos mais graves, a Anvisa autorizou o uso do medicamento Tecovirimat no Brasil, indicado para pacientes internados com diagnóstico confirmado por RT-PCR e que apresentem complicações como encefalite, pneumonia, mais de 200 lesões pelo corpo ou comprometimento ocular. A vacina contra a Mpox também está disponível para grupos de maior risco, funcionando tanto como prevenção quanto como profilaxia pós-exposição.
Medidas de prevenção que ajudam a evitar a infecção
A prevenção da Mpox depende de cuidados práticos que reduzem a exposição ao vírus. Evitar contato direto com lesões de pele ou fluidos corporais de pessoas infectadas é a medida mais importante. Lavar as mãos com frequência, não compartilhar objetos pessoais como toalhas e roupas de cama, e manter o ambiente higienizado também são estratégias eficazes.
Diante de qualquer sinal suspeito — como o surgimento de bolhas ou feridas na pele acompanhadas de febre e ínguas —, é essencial procurar atendimento médico imediatamente. Somente um infectologista ou clínico geral pode confirmar o diagnóstico por meio de exames laboratoriais e orientar o tratamento e o isolamento adequados para proteger tanto a pessoa quanto as pessoas ao redor.









