Pés formigando à noite podem parecer apenas sinal de má circulação, cansaço ou posição ruim ao dormir. Mas, em pessoas com diabetes ou pré-diabetes, esse incômodo pode seguir um padrão típico de neuropatia diabética, uma lesão nos nervos que costuma começar de forma lenta e silenciosa.
Por que o formigamento aparece à noite
Na neuropatia diabética, o excesso de glicose no sangue ao longo do tempo pode prejudicar os nervos e os pequenos vasos que levam oxigênio até eles. Isso pode causar formigamento, queimação, pontadas, dor ou dormência, principalmente nos pés.
De acordo com o CDC, o dano aos nervos periféricos é o tipo mais comum de lesão nervosa em pessoas com diabetes e geralmente começa nos pés, podendo causar sensação de agulhadas, dor ou maior sensibilidade, especialmente à noite.
O padrão que merece atenção
O formigamento por má posição costuma melhorar rapidamente ao mudar a postura. Já a neuropatia diabética tende a se repetir, piorar no repouso e atingir os dois pés de forma parecida, como se fosse uma “meia”.
- Formigamento nos dois pés, principalmente à noite;
- Sensação de queimação, choque, agulhadas ou dor em pontadas;
- Dormência ou dificuldade para sentir o chão;
- Piora ao deitar ou durante o repouso;
- Perda de sensibilidade para calor, frio ou pequenos machucados;
- Feridas nos pés que demoram a cicatrizar.
Para entender melhor os sintomas, causas e cuidados, veja também o conteúdo sobre neuropatia diabética.

O que uma revisão científica mostrou
A importância de observar sintomas nos pés também aparece na revisão científica Diabetic neuropathy, publicada na Nature Reviews Disease Primers. O artigo descreve a neuropatia diabética como uma perda de função sensitiva que começa nas partes mais distantes do corpo, especialmente nos membros inferiores, podendo causar dor e grande impacto na qualidade de vida.
Esse dado ajuda a explicar por que o formigamento noturno não deve ser visto como algo sempre simples. Quando o nervo perde sensibilidade aos poucos, a pessoa pode deixar de perceber bolhas, cortes, calos ou queimaduras, aumentando o risco de infecções e complicações nos pés.
Quem tem maior risco
A neuropatia diabética é mais comum em quem convive com glicose alta por muito tempo, mas outros fatores também podem acelerar o dano aos nervos. Por isso, o risco não depende apenas do tempo de diagnóstico.
- Diabetes mal controlado ou com picos frequentes de glicose;
- Diabetes há muitos anos;
- Pressão alta ou colesterol elevado;
- Tabagismo;
- Doença renal associada ao diabetes;
- Excesso de peso e sedentarismo;
- Histórico de feridas ou perda de sensibilidade nos pés.

Quando procurar atendimento
É recomendado procurar avaliação médica quando o formigamento nos pés é frequente, piora à noite, aparece nos dois lados, causa dor, dormência ou sensação de queimação. Pessoas com diabetes também devem buscar orientação se notarem cortes, bolhas, calos, pele muito seca, mudança de cor ou feridas que não cicatrizam.
O acompanhamento pode incluir exame dos pés, testes de sensibilidade, avaliação da glicemia, ajuste do tratamento do diabetes e orientações de cuidado diário. Observar os pés todos os dias, usar calçados adequados e manter o controle da glicose são medidas importantes para reduzir o risco de complicações.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









