Se você é daquelas pessoas que só funcionam bem à noite e têm dificuldade para acordar cedo, talvez seja hora de prestar mais atenção à saúde do coração. Um estudo recente com mais de 322 mil adultos mostrou que quem tem o hábito de dormir tarde e ser mais ativo durante a noite apresenta um risco 16% maior de sofrer infarto ou AVC em comparação com pessoas de rotina intermediária. Essa descoberta reforça algo que a ciência já vinha sinalizando: o horário em que vivemos pode influenciar diretamente a saúde cardiovascular.
O que significa ser uma pessoa noturna?
Cada pessoa possui um cronotipo, que é a tendência natural do corpo a preferir determinados horários para dormir e acordar. Quem tem o cronotipo noturno costuma sentir mais disposição e energia no período da noite, indo dormir tarde e tendo dificuldade para funcionar bem pela manhã. Já as pessoas matutinas acordam cedo com facilidade e sentem sono mais cedo.
Essa preferência não é apenas um hábito — ela tem base genética e está ligada ao relógio biológico, o sistema interno que regula ciclos de sono, fome, pressão arterial e até a produção de hormônios ao longo de 24 horas.
Estudo publicado no Journal of the American Heart Association confirma o risco cardiovascular em notívagos
Segundo o estudo “Chronotype, Life’s Essential 8, and Risk of Cardiovascular Disease: A Prospective Cohort Study in UK Biobank”, publicado no Journal of the American Heart Association em janeiro de 2026, pessoas com cronotipo noturno apresentaram uma probabilidade 79% maior de ter uma saúde cardiovascular considerada ruim. O trabalho acompanhou mais de 322 mil adultos britânicos por cerca de 14 anos e avaliou a saúde do coração com base nos oito fatores essenciais definidos pela American Heart Association, que incluem alimentação, atividade física, qualidade do sono, tabagismo, peso, colesterol, glicemia e pressão arterial. Os resultados mostraram ainda que o risco foi mais acentuado em mulheres do que em homens.

Por que dormir tarde afeta o coração?
O principal problema não é ser noturno em si, mas sim o desalinhamento entre o relógio biológico e a rotina imposta pela sociedade. Quando uma pessoa noturna precisa acordar cedo para trabalhar, por exemplo, seu corpo funciona fora de sincronia. Isso pode afetar o metabolismo, a regulação da pressão arterial e até a forma como o organismo processa os alimentos.
Além disso, esse descompasso tende a favorecer comportamentos prejudiciais à saúde. Entre os principais fatores identificados no estudo estão:
TABAGISMO
O cigarro explicou 34% da associação entre cronotipo noturno e maior risco cardíaco.
SONO IRREGULAR
Dormir pouco ou em horários instáveis contribuiu com 14% do risco aumentado.
GLICEMIA ELEVADA
Alterações no metabolismo da glicose representaram 12% do risco adicional.
PESO E ALIMENTAÇÃO
Excesso de peso e dieta de baixa qualidade contribuíram com cerca de 11% cada.
O que pessoas noturnas podem fazer para proteger o coração?
A boa notícia é que o risco cardiovascular associado ao cronotipo noturno não é inevitável. Os próprios pesquisadores destacam que mudanças no estilo de vida podem reduzir significativamente esse risco. Algumas atitudes práticas incluem:
- Priorizar entre 7 e 9 horas de sono por noite, mesmo que em horários um pouco diferentes
- Evitar o tabagismo, o fator de maior impacto identificado no estudo
- Manter uma alimentação equilibrada, evitando refeições pesadas em horários muito tardios
- Praticar atividade física regularmente, respeitando o horário em que o corpo responde melhor
Atenção ao seu ritmo vale mais do que tentar mudar quem você é
Forçar uma pessoa noturna a se tornar matutina nem sempre é possível ou saudável. O mais importante é reconhecer seu cronotipo e adotar estratégias que protejam sua saúde dentro da sua realidade. Pequenos ajustes na rotina, como melhorar a qualidade do sono e manter hábitos saudáveis, já fazem uma diferença considerável.
Se você se identifica como uma pessoa noturna e tem preocupações com a saúde do coração, o mais indicado é buscar orientação médica profissional. Um cardiologista ou especialista em medicina do sono pode avaliar seus fatores de risco de forma individualizada e recomendar as melhores estratégias para o seu caso.









