A enxaqueca que vive voltando pode exigir mais do que analgésicos usados nas crises. Entre os suplementos estudados para prevenção, o magnésio ganhou destaque por sua possível relação com a excitabilidade dos nervos, a contração dos vasos e processos envolvidos na dor.
Por que o magnésio entrou na mira
O magnésio participa da transmissão dos impulsos nervosos, do relaxamento muscular e do equilíbrio de substâncias ligadas à dor. Quando está baixo, o sistema nervoso pode ficar mais sensível a estímulos que favorecem crises em algumas pessoas.
Isso não significa que toda enxaqueca seja falta de magnésio. A condição é complexa e pode envolver genética, sono irregular, estresse, jejum, alterações hormonais, álcool, alguns alimentos e uso excessivo de remédios para dor.
O que o estudo científico mostrou
Segundo a revisão sistemática e meta-análise dose-resposta Effects of selected dietary supplements on migraine prophylaxis, publicada na revista Neurological Sciences, a suplementação de magnésio reduziu a frequência das crises, a intensidade da dor e o número mensal de dias com enxaqueca em comparação ao grupo controle.
O estudo analisou ensaios clínicos randomizados sobre suplementos usados na prevenção da enxaqueca, incluindo magnésio, coenzima Q10, riboflavina e ácido alfa-lipoico. O achado reforça o interesse científico pelo mineral, mas não transforma o suplemento em solução universal ou substituto do acompanhamento médico.

Quando suspeitar de baixa ingestão
Alguns hábitos podem indicar que a alimentação está pobre em magnésio, especialmente quando a enxaqueca vem junto de outros sintomas inespecíficos.
- Baixo consumo de castanhas, sementes, feijões e folhas verde-escuras.
- Cãibras, tremores ou sensação de tensão muscular frequente.
- Cansaço, irritabilidade ou sono de má qualidade.
- Uso de diuréticos ou alguns remédios que podem alterar minerais.
- Consumo excessivo de álcool ou dieta muito restritiva.
Esses sinais não confirmam deficiência. Exames, histórico clínico e avaliação da dieta ajudam a decidir se faz sentido investigar ou ajustar a ingestão.
Como aumentar sem exagerar
Antes de partir para cápsulas, vale reforçar fontes alimentares de magnésio. Esse caminho costuma ser mais seguro e ainda melhora a qualidade geral da dieta.
- Inclua sementes de abóbora, chia, linhaça e gergelim.
- Consuma castanhas, amendoim e amêndoas em porções moderadas.
- Use feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha com frequência.
- Adicione couve, espinafre e outras folhas verde-escuras.
- Prefira aveia, arroz integral e outros grãos menos refinados.
Veja também fontes alimentares e cuidados com o magnésio.

Quando procurar avaliação
Procure um médico se as crises são frequentes, pioram com o tempo, exigem remédios muitas vezes por semana ou vêm com aura nova, fraqueza, confusão, febre, rigidez na nuca ou dor súbita muito intensa.
Suplementos de magnésio podem causar diarreia, cólicas e interagir com medicamentos. Pessoas com doença renal, gestantes, idosos e quem usa remédios contínuos devem evitar suplementar por conta própria. A prevenção da enxaqueca costuma funcionar melhor quando combina rotina de sono, alimentação, hidratação, controle de gatilhos e tratamento individualizado.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









