A angioplastia, também denominada intervenção coronária percutânea, consiste em procedimento minimamente invasivo para desobstruir artérias bloqueadas ou estreitadas, restaurando o fluxo sanguíneo adequado. Segundo publicação do StatPearls, a angioplastia transluminal coronária percutânea representa procedimento não cirúrgico realizado para aliviar o estreitamento ou oclusão da artéria coronária e melhorar o suprimento sanguíneo ao tecido cardíaco isquêmico, sendo atualmente um dos procedimentos médicos mais realizados nos Estados Unidos.
O que é angioplastia e como funciona?
A angioplastia utiliza um cateter fino equipado com balão na extremidade para comprimir placas de gordura e colesterol contra as paredes arteriais, ampliando o diâmetro interno do vaso e permitindo circulação sanguínea adequada. Introduzida pela primeira vez em 1977 por Andreas Gruentzig, a técnica revolucionou o tratamento da doença arterial coronariana ao oferecer alternativa menos invasiva à cirurgia de revascularização. O procedimento restaura o fluxo sanguíneo ao músculo cardíaco sem necessidade de cirurgia aberta.
Na maioria dos casos, após a dilatação com balão, o médico implanta um stent, pequeno tubo de malha metálica expansível que permanece na artéria para mantê-la aberta. Os stents modernos geralmente possuem revestimento medicamentoso que libera fármacos diretamente na parede arterial, reduzindo significativamente o risco de reestenose, que ocorre em menos de 5% dos casos quando utilizado stent farmacológico.

Quando a angioplastia é indicada?
A angioplastia coronária trata principalmente a doença arterial coronariana causada por aterosclerose, acúmulo de placas ricas em lipídios que estreitam as artérias. De acordo com o StatPearls, pacientes com doença arterial coronariana geralmente apresentam dor torácica aos esforços ou dispneia durante atividades físicas, enquanto no infarto agudo do miocárdio ocorre ruptura da placa com agregação plaquetária e formação de trombo agudo, resultando em oclusão súbita da artéria coronária.
O procedimento pode ser realizado em situação de emergência durante infarto ou de forma eletiva quando há forte suspeita de doença cardíaca. A decisão entre angioplastia, tratamento medicamentoso ou cirurgia de revascularização miocárdica depende de múltiplos fatores, incluindo número de vasos acometidos, localização das lesões, condições clínicas do paciente e gravidade dos sintomas.
Principais situações clínicas que indicam angioplastia
Como é realizado o procedimento de angioplastia?
A angioplastia é realizada em laboratório de hemodinâmica sob anestesia local e sedação leve. O cardiologista intervencionista faz pequena incisão na virilha, punho ou braço para acessar uma artéria, inserindo um cateter fino que é guiado até as artérias coronárias através de fluoroscopia, tipo especial de raio-X contínuo. Contraste é injetado para visualizar precisamente as obstruções arteriais.
Uma vez localizada a obstrução, o médico posiciona um cateter balão no local estreitado e o infla repetidamente, comprimindo a placa contra a parede arterial e restaurando o diâmetro adequado do vaso. Após dilatação satisfatória, geralmente implanta-se stent para manter a artéria aberta permanentemente. O procedimento completo tipicamente dura entre 30 minutos a algumas horas, dependendo da complexidade e número de lesões tratadas.
Etapas principais do procedimento:
- Preparo do paciente: jejum de 8 horas e ajuste de medicações anticoagulantes
- Anestesia local: aplicação no local de punção arterial (virilha, punho ou braço)
- Punção arterial: inserção de cateter através de pequena incisão na pele
- Cateterização guiada: navegação do cateter até artérias coronárias usando fluoroscopia
- Angiografia: injeção de contraste para visualizar obstruções arteriais
- Posicionamento do balão: cateter balão colocado exatamente no local da obstrução
- Dilatação arterial: inflação do balão para comprimir placa e ampliar diâmetro vascular
- Implante de stent: colocação de tubo metálico para manter artéria permanentemente aberta
- Verificação final: nova angiografia confirmando restauração adequada do fluxo
- Remoção dos cateteres: retirada dos instrumentos e aplicação de curativo compressivo

Quais riscos e complicações podem ocorrer?
Embora a angioplastia seja procedimento geralmente seguro, complicações podem acontecer. Estudos indicam taxa de complicações em aproximadamente 5 a cada 100 procedimentos, com incidência menor em centros especializados que realizam grande volume de angioplastias. Complicações graves são raras, mas incluem sangramento prolongado no local de inserção do cateter, formação de coágulos sanguíneos ou danos aos vasos sanguíneos.
Reestenose, estreitamento recorrente da artéria tratada, representa complicação tardia que pode ocorrer devido à formação de tecido cicatricial dentro do stent. Trombose do stent, formação de coágulo no interior do dispositivo, constitui complicação grave, mas rara que pode causar obstrução súbita do fluxo sanguíneo. Pacientes idosos e aqueles com múltiplas artérias bloqueadas, doença renal ou insuficiência cardíaca apresentam maior risco de complicações.
Como é a recuperação após angioplastia?
A recuperação da angioplastia geralmente ocorre de forma rápida, com maioria dos pacientes permanecendo no hospital por algumas horas ou até o dia seguinte. Pacientes submetidos ao procedimento através do punho frequentemente podem caminhar mais precocemente que aqueles com acesso femoral. A recuperação completa tipicamente leva menos de uma semana, período durante o qual pequena quantidade de sangramento, hematomas e desconforto no local da punção são esperados.
Após alta hospitalar, é fundamental seguir rigorosamente as orientações médicas quanto ao uso de antiagregantes plaquetários como clopidogrel, prasugrel ou ticagrelor, que reduzem risco de formação de coágulos no stent. A maioria das pessoas retorna ao trabalho não físico dentro de 24 horas e ao trabalho físico em 48 horas. Adotar hábitos saudáveis incluindo dieta cardioprotetora, exercícios regulares, cessação do tabagismo e controle do estresse é essencial para prevenir novo estreitamento arterial. Sempre procure atendimento médico imediato se apresentar dor torácica intensa, sangramento excessivo no local da punção, febre persistente ou sinais de infecção, pois apenas profissionais de saúde podem avaliar adequadamente sua condição e fornecer tratamento apropriado.









