A vitamina D pode continuar baixa mesmo em quem toma sol porque a produção pela pele é apenas uma parte do processo. Para ser aproveitada, ela também depende da absorção intestinal, do transporte adequado e da participação do fígado no metabolismo.
Por que o sol pode não ser suficiente
A exposição solar ajuda o corpo a produzir vitamina D, mas fatores como idade, pele mais escura, uso constante de protetor, pouca área do corpo exposta, obesidade e alguns medicamentos podem reduzir esse aproveitamento.
Além disso, a vitamina D é lipossolúvel, ou seja, depende da absorção de gordura no intestino. Segundo o NIH Office of Dietary Supplements, condições que prejudicam a absorção de gordura podem dificultar também a absorção da vitamina D.
Quando o intestino entra na investigação
O intestino deve ser considerado quando a vitamina D permanece baixa apesar de sol, alimentação e suplementação adequada. Nesses casos, pode existir dificuldade de absorção de nutrientes.
- Doença celíaca, mesmo com sintomas digestivos discretos;
- Doença de Crohn, retocolite ulcerativa ou inflamação intestinal crônica;
- Cirurgia bariátrica ou retirada de parte do intestino;
- Diarreia crônica, fezes gordurosas ou perda de peso sem explicação;
- Doenças do pâncreas ou uso de medicamentos que interferem na absorção de gordura.

O papel do fígado na vitamina D
Depois de ser produzida na pele ou absorvida pela alimentação, a vitamina D passa pelo fígado, onde é transformada em 25-hidroxivitamina D, a principal forma medida nos exames de sangue.
Por isso, doenças hepáticas crônicas, alterações na bile e quadros de colestase podem dificultar o aproveitamento adequado. O alerta é maior quando há enzimas do fígado alteradas, pele ou olhos amarelados, urina escura, coceira persistente ou histórico de gordura no fígado.
O que diz um estudo científico
A revisão Vitamin D Status in Gastrointestinal and Liver Disease, publicada na revista Current Opinion in Gastroenterology, descreve que níveis baixos de vitamina D são frequentes em pessoas com doenças gastrointestinais e hepáticas.
O estudo explica que a deficiência pode ter várias causas, incluindo baixa ingestão, má absorção de gordura, redução de sais biliares, menor superfície de absorção intestinal e perda de função do fígado. Isso reforça que a investigação deve ir além da pergunta sobre tomar ou não sol.

Como investigar com segurança
Quando a vitamina D segue baixa, o médico pode avaliar 25-hidroxivitamina D, cálcio, fósforo, paratormônio, função renal, enzimas hepáticas e sinais de má absorção. Também é importante revisar dose, regularidade e forma de uso do suplemento.
- Não aumente a dose por conta própria, pois excesso pode causar toxicidade;
- Informe se usa anticonvulsivantes, corticoides, orlistate ou remédios contínuos;
- Observe sintomas como dor óssea, fraqueza muscular e quedas frequentes;
- Procure avaliação se houver diarreia crônica, perda de peso ou icterícia.
Para entender fontes, sintomas e cuidados gerais, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre vitamina D.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









