A coqueluche pode começar como um resfriado comum, com coriza, mal-estar e tosse seca, mas chama atenção quando a tosse não passa e evolui para crises intensas. A preocupação voltou porque a doença é altamente transmissível e pode ser grave, principalmente em bebês pequenos.
Por que voltou a preocupar
A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis e se espalha por gotículas eliminadas ao tossir, espirrar ou falar. Como os primeiros sintomas parecem leves, a pessoa pode transmitir antes de suspeitar da doença.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou aumento expressivo de casos em 2024, com 7.440 confirmações, o maior número em uma década. O órgão relaciona a alta à ciclicidade da doença, retomada das interações sociais pós-pandemia e queda de coberturas vacinais em anos anteriores.
Como a tosse evolui
O detalhe que diferencia a coqueluche é a progressão da tosse. Ela pode começar discreta e, depois de alguns dias, virar uma tosse forte, repetitiva e difícil de controlar.
- Fase inicial: coriza, febre baixa, mal-estar e tosse seca;
- Fase de crises: tosse intensa, rápida e em sequência;
- Vômitos após tossir ou dificuldade para respirar durante a crise;
- Som agudo ao puxar o ar, conhecido como guincho;
- Tosse que pode durar semanas, mesmo após melhora do estado geral.

O que um estudo científico mostrou
A volta da coqueluche não é explicada por um único motivo. Pesquisadores apontam a combinação de imunidade que diminui com o tempo, falhas na vacinação, maior circulação após a pandemia, melhor diagnóstico e mudanças da própria bactéria.
Segundo a revisão Resurgence of pertussis: Epidemiological trends, contributing factors, challenges, and recommendations for vaccination and surveillance, publicada na revista Human Vaccines & Immunotherapeutics, a coqueluche voltou a crescer em diferentes países e os lactentes continuam sendo o grupo mais vulnerável a complicações.
Quem precisa de mais cuidado
Embora possa afetar qualquer idade, a coqueluche é mais perigosa em bebês, especialmente antes de completarem o esquema vacinal. Em adolescentes e adultos, o quadro pode ser mais leve, mas ainda assim transmitir para crianças pequenas.
- Bebês menores de 6 meses;
- Gestantes, pela proteção do recém-nascido;
- Crianças com vacinação atrasada;
- Pessoas com asma, doença pulmonar ou imunidade baixa;
- Profissionais de saúde e cuidadores de bebês;
- Familiares com tosse persistente em casa.
Para entender melhor sintomas, transmissão e tratamento, veja também o conteúdo sobre coqueluche.

Quando procurar atendimento
Procure avaliação se a tosse durar mais de duas semanas, vier em crises, causar vômitos, falta de ar, lábios arroxeados, chiado ou piora rápida. Bebês com tosse, pausas na respiração, dificuldade para mamar ou sonolência devem ser avaliados com urgência.
A prevenção depende principalmente da vacinação em dia, incluindo a dTpa na gestação, conforme orientação do calendário vacinal. O diagnóstico e o tratamento corretos também ajudam a reduzir a transmissão para pessoas mais vulneráveis.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









