O ronco é extremamente comum e atinge entre 20% e 60% da população adulta, sendo mais frequente em homens e em pessoas acima do peso. Embora muitas vezes seja tratado apenas como incômodo para quem dorme ao lado, roncar com frequência pode indicar um problema mais sério chamado apneia obstrutiva do sono — uma condição que interrompe a respiração durante a noite e está associada a riscos cardiovasculares importantes. Entender quando o ronco deixa de ser inofensivo é o primeiro passo para proteger a saúde.
Por que algumas pessoas roncam?
O ronco acontece quando o ar não consegue passar livremente pela garganta durante o sono. Os tecidos relaxados vibram com a passagem do ar e produzem o som característico. Segundo especialistas da Clínica Cleveland, fatores como amígdalas aumentadas, desvio de septo, língua volumosa e excesso de peso contribuem para estreitar as vias aéreas e favorecer o ronco.
O consumo de álcool e o uso de sedantes também relaxam a musculatura da garganta, facilitando a obstrução. Além disso, o envelhecimento natural reduz o tônus muscular dessa região, o que explica por que o ronco tende a se tornar mais frequente com o passar dos anos.
Sinais que indicam quando o ronco é preocupante
Nem todo ronco representa um problema de saúde. Porém, alguns sinais merecem atenção e podem indicar a presença de apneia obstrutiva do sono:
PAUSAS NA RESPIRAÇÃO
Interrupções respiratórias seguidas de engasgos ou suspiros fortes podem indicar apneia do sono.
RONCO INTENSO
Ronco muito alto e frequente, presente todas as noites, merece avaliação médica.
SONOLÊNCIA DIURNA
Cansaço excessivo e dificuldade de concentração mesmo após dormir a noite inteira.
SUFOCAMENTO NOTURNO
Acordar ofegante ou com boca muito seca pode indicar interrupções repetidas da respiração.
DOR DE CABEÇA MATINAL
Dores de cabeça ao acordar podem estar ligadas à queda de oxigênio durante a noite.
Estudo associa apneia do sono a maior risco cardiovascular
A relação entre o ronco crônico, a apneia do sono e os problemas cardíacos é sustentada por evidências científicas consistentes. Segundo a revisão sistemática com meta-análise “The effect of obstructive sleep apnea on the increased risk of cardiovascular disease: a systematic review and meta-analysis”, publicada no periódico Neurological Sciences, a apneia obstrutiva do sono está associada a um aumento significativo no risco de doenças cardiovasculares, incluindo infarto e acidente vascular cerebral. O trabalho reuniu 24 estudos de coorte e concluiu que pessoas com apneia do sono apresentam risco consideravelmente maior de eventos cardíacos graves em comparação com quem não possui o distúrbio. Esses achados reforçam a importância de investigar o ronco frequente como possível sintoma de uma condição que vai muito além do incômodo noturno.

Hábitos que ajudam a reduzir o ronco
Antes de qualquer tratamento, algumas mudanças no estilo de vida podem diminuir a frequência e a intensidade do ronco. Os especialistas recomendam:
- Manter um peso saudável — o excesso de gordura na região do pescoço estreita as vias aéreas e agrava o ronco.
- Dormir de lado — a posição de barriga para cima facilita o deslocamento da língua para trás, bloqueando parcialmente a passagem do ar.
- Evitar álcool antes de dormir — bebidas alcoólicas relaxam excessivamente a musculatura da garganta e aumentam a obstrução.
- Tratar congestão nasal — alergias e inflamações nas vias nasais forçam a respiração pela boca e favorecem o ronco.
Quando procurar um médico por causa do ronco?
Roncar eventualmente após um dia cansativo ou uma noite de excessos não costuma indicar nada grave. No entanto, quando o ronco é alto, frequente e acompanhado de pausas respiratórias, sonolência diurna ou cansaço crônico, é fundamental buscar avaliação médica. O exame de polissonografia permite identificar se existe apneia do sono e qual é a sua gravidade.
Somente um profissional de saúde pode avaliar corretamente o quadro e indicar o tratamento mais adequado, que pode incluir desde mudanças comportamentais até o uso de aparelhos específicos para manter as vias aéreas abertas durante o sono.









