O leite cru voltou ao centro das recomendações de saúde pública porque pode carregar microrganismos invisíveis, incluindo vírus e bactérias, sem mudar cheiro, cor ou sabor. No contexto da gripe aviária A(H5N1) em vacas leiteiras, a pasteurização ganha importância por reduzir o risco antes do consumo.
Por que o leite cru preocupa
Leite cru é aquele que não passou por pasteurização, processo de aquecimento controlado que ajuda a eliminar agentes infecciosos. Mesmo quando parece fresco e normal, ele pode conter Salmonella, E. coli, Campylobacter, Listeria e, em situações específicas, vírus.
O alerta cresceu porque o CDC informa que a gripe aviária A(H5) segue disseminada em aves selvagens e causando surtos em aves domésticas e vacas leiteiras nos Estados Unidos, com casos humanos esporádicos em trabalhadores expostos.
Como a pasteurização ajuda
A pasteurização não transforma o leite em um produto estéril, mas reduz de forma importante a presença de microrganismos capazes de causar doença. Por isso, o consumo de leite pasteurizado ou UHT é a escolha mais segura para a população geral.
- Reduz o risco de infecções intestinais causadas por bactérias.
- Ajuda a diminuir a exposição a vírus sensíveis ao calor.
- Protege melhor crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa.
- Mantém o leite adequado para consumo quando associado a transporte e refrigeração corretos.

O que um estudo científico observou
A preocupação com o leite cru ficou mais concreta quando pesquisadores avaliaram amostras de leite de vacas infectadas por H5N1. Segundo a comunicação científica Cow’s Milk Containing Avian Influenza A(H5N1) Virus, publicada no New England Journal of Medicine, o vírus presente no leite mostrou capacidade de infectar camundongos em experimento laboratorial.
O estudo também avaliou aquecimento do leite e reforçou que o tratamento térmico reduz a infectividade viral. Embora pesquisas em laboratório não representem exatamente o consumo humano cotidiano, elas ajudam a explicar por que o leite sem pasteurização merece cautela.
Quem deve evitar com mais rigor
Qualquer pessoa pode adoecer ao consumir leite cru, mas alguns grupos têm risco maior de complicações. Neles, a recomendação de evitar produtos não pasteurizados deve ser ainda mais firme.
- Gestantes, pelo risco de infecções que podem afetar a gravidez.
- Crianças pequenas, que podem desidratar mais rapidamente em quadros gastrointestinais.
- Idosos, especialmente com doenças crônicas.
- Pessoas imunossuprimidas, como pacientes em quimioterapia ou transplantados.
- Trabalhadores rurais expostos a animais doentes ou secreções de rebanhos.

Cuidados simples na rotina
Para reduzir riscos, prefira leite pasteurizado ou UHT, confira o rótulo e evite derivados artesanais feitos com leite sem tratamento térmico. Queijos, iogurtes e outros laticínios também devem informar origem e processo de fabricação.
Em caso de febre, diarreia intensa, vômitos persistentes, dor abdominal forte ou sintomas respiratórios após consumo de leite cru, procure atendimento. Para entender melhor diferenças e cuidados, veja também o conteúdo sobre leite cru.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









