Pedir para repetir frases com frequência, aumentar muito o volume da TV ou evitar conversas em grupo pode parecer apenas parte do envelhecimento. Mas a perda auditiva merece atenção, porque pode afetar comunicação, isolamento social e carga mental, além de estar entre os fatores modificáveis ligados ao risco de demência.
Quando a audição vira sinal de alerta
A perda auditiva costuma avançar aos poucos, por isso muitas pessoas não percebem o problema. Familiares podem notar primeiro que a pessoa responde errado, se irrita em ambientes barulhentos ou passa a evitar encontros sociais.
O sinal não deve ser tratado como “teimosia” ou distração. Quando ouvir exige muito esforço, o cérebro precisa trabalhar mais para entender a fala, o que pode aumentar cansaço, insegurança e afastamento das conversas.
O que diz o estudo científico
Segundo o relatório científico Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission, publicado na The Lancet, a perda auditiva na meia-idade está entre os fatores de risco modificáveis associados à demência.
O documento também aponta que a evidência sobre tratar a perda auditiva para reduzir risco de demência ficou mais forte, especialmente com o uso de aparelhos auditivos em pessoas com perda auditiva e outros fatores de risco. Isso não significa que aparelho auditivo previna demência em todos os casos, mas reforça a importância de investigar e tratar.

Sinais que podem passar despercebidos
A perda auditiva nem sempre aparece como “não escutar nada”. Muitas vezes, a dificuldade surge primeiro em situações específicas do dia a dia:
- Pedir para repetir frases várias vezes;
- Dificuldade para entender conversas com ruído ao fundo;
- Aumentar muito o volume da televisão ou do celular;
- Responder de forma diferente ao que foi perguntado;
- Evitar telefonemas, reuniões ou encontros por vergonha de não entender.
Para entender melhor causas, sintomas e opções de tratamento, veja também o conteúdo sobre perda auditiva.
Por que tratar pode ajudar
Investigar a audição pode melhorar a comunicação, reduzir isolamento e facilitar a participação em atividades sociais. Esses pontos são importantes porque solidão, depressão, baixa estimulação e dificuldade de interação também podem pesar na saúde cognitiva.
O tratamento depende da causa e pode envolver retirada de cera, ajuste de medicamentos, tratamento de infecções, aparelho auditivo ou reabilitação auditiva. Quanto mais cedo a perda é identificada, maior a chance de adaptação e benefício.

O que fazer ao notar o problema
Quando a pessoa passa a pedir repetição com frequência, o ideal é marcar avaliação com otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo. Alguns passos ajudam a organizar a investigação:
- Fazer exame de ouvido e audiometria;
- Informar zumbido, tontura, dor ou sensação de ouvido tampado;
- Revisar exposição a ruído, histórico familiar e remédios em uso;
- Evitar comprar amplificadores ou aparelhos sem avaliação;
- Procurar atendimento rápido se a perda auditiva surgir de repente.
Pedir para repetir frases não confirma risco de demência, mas pode ser uma pista de perda auditiva tratável. Levar o sintoma a sério ajuda a preservar comunicação, independência e qualidade de vida.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









