A fumaça de queimadas não irrita apenas olhos, nariz e garganta. O poluente fino conhecido como PM2,5 pode alcançar regiões profundas dos pulmões e desencadear efeitos no corpo que preocupam o coração, especialmente em pessoas idosas ou com doenças cardiovasculares.
Por que a fumaça pode afetar o coração
O PM2,5 é formado por partículas muito pequenas, com diâmetro menor que 2,5 micrômetros. Por serem finas, elas podem penetrar profundamente nas vias respiratórias e favorecer inflamação, estresse oxidativo e alterações nos vasos sanguíneos.
Essas respostas podem aumentar a sobrecarga cardiovascular, interferir na pressão arterial e piorar quadros já existentes. Por isso, em períodos de queimadas, sintomas como falta de ar, dor no peito, palpitações e cansaço fora do comum merecem atenção.
Quem deve redobrar os cuidados
Embora qualquer pessoa possa sentir os efeitos da fumaça, alguns grupos têm maior chance de complicações. O risco aumenta quando a exposição se repete por dias ou semanas, mesmo que a fumaça pareça mais fraca em alguns momentos.
- Idosos e pessoas com insuficiência cardíaca.
- Quem tem pressão alta, arritmia, infarto prévio ou doença coronariana.
- Pessoas com asma, bronquite, DPOC ou outras doenças pulmonares.
- Gestantes, crianças e pessoas imunossuprimidas.
- Quem trabalha ao ar livre durante períodos de queimadas.

O que um estudo científico mostrou sobre a fumaça
O impacto cardiovascular da fumaça ganhou destaque com pesquisas que analisam não apenas exposições intensas de curto prazo, mas também o contato acumulado ao longo do tempo. Isso ajuda a entender por que episódios repetidos de queimadas podem ser relevantes para a saúde pública.
Segundo o estudo de coorte retrospectivo Long-Term Wildfire Smoke Exposure and Increased Risk of Heart Failure in Older Adults, publicado no Journal of the American College of Cardiology, a exposição prolongada ao PM2,5 de fumaça de incêndios florestais foi associada a maior risco de insuficiência cardíaca em adultos com 65 anos ou mais.
Como reduzir a exposição em dias críticos
Em períodos de fumaça intensa, pequenas medidas podem diminuir a quantidade de partículas inaladas. A prioridade é reduzir esforço físico ao ar livre e melhorar a proteção dentro de casa.
- Evite exercícios externos quando o ar estiver visivelmente ruim.
- Mantenha portas e janelas fechadas nos horários de maior fumaça.
- Use purificador de ar com filtro adequado, se disponível.
- Prefira máscara PFF2 ou N95 se precisar sair em ambiente enfumaçado.
- Siga corretamente os remédios de uso contínuo para coração e pulmão.

Quando procurar atendimento
Procure avaliação se houver dor ou aperto no peito, falta de ar importante, lábios arroxeados, desmaio, confusão mental, palpitações persistentes ou piora rápida do cansaço. Pessoas com doença cardíaca conhecida não devem esperar os sintomas ficarem intensos.
Para entender melhor sintomas, causas e cuidados em casos de coração enfraquecido, veja também o conteúdo sobre insuficiência cardíaca. A fumaça pode parecer passageira, mas a exposição acumulada ao poluente fino é o ponto que merece atenção.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









