A vacina contra herpes-zóster é conhecida por reduzir o risco de cobreiro e de dor persistente após a infecção. Agora, um estudo publicado em 2025 chamou atenção ao sugerir um possível benefício extra: menor risco de diagnóstico de demência em idosos vacinados.
O que a vacina já previne
O herpes-zóster acontece pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. Ele pode causar bolhas dolorosas na pele e, em algumas pessoas, uma dor intensa e prolongada chamada neuralgia pós-herpética.
A vacinação é uma forma de reduzir esse risco, especialmente em pessoas mais velhas, nas quais a imunidade tende a diminuir. Para entender melhor sintomas e cuidados, veja também o conteúdo sobre herpes-zóster.
O que o estudo científico encontrou
O possível efeito no cérebro foi investigado no estudo de experimento natural A natural experiment on the effect of herpes zoster vaccination on dementia, publicado na Nature. Os pesquisadores aproveitaram uma regra do País de Gales, em que a elegibilidade para a vacina dependia da data exata de nascimento.
Na análise, pessoas nascidas logo após a data de corte tinham muito mais chance de receber a vacina do que pessoas nascidas pouco antes, mas eram semelhantes em outros aspectos. Ao longo de 7 anos, receber a vacina foi associado a uma redução de 3,5 pontos percentuais no diagnóstico de demência, o que correspondeu a cerca de 20% menos risco relativo.

Por que isso pode fazer sentido
A hipótese é que vírus neurotrópicos, como o varicela-zóster, possam influenciar processos inflamatórios ou danos no sistema nervoso. Ao prevenir reativações do vírus, a vacina poderia reduzir parte desse impacto.
- O vírus pode ficar adormecido nos nervos por anos.
- Reativações podem causar inflamação e dor intensa.
- A vacinação reduz casos de herpes-zóster.
- O estudo sugere um possível efeito adicional sobre demência.
O que ainda precisa de cautela
Apesar do resultado forte, o estudo avaliou principalmente a vacina de vírus vivo atenuado usada naquele programa, não todas as vacinas disponíveis atualmente. Além disso, a vacina não deve ser tomada com o objetivo exclusivo de prevenir demência.
- O resultado mostra associação com desenho quase experimental, mas ainda precisa de confirmação.
- O efeito pareceu mais forte em mulheres, mas isso requer mais estudo.
- A indicação da vacina depende de idade, histórico e condição imunológica.
- Pessoas imunossuprimidas precisam de orientação médica específica.

Como interpretar esse possível bônus
O achado não muda sozinho a prevenção da demência, que envolve controle da pressão, diabetes, sono, audição, atividade física, alimentação e estímulo cognitivo. Mas reforça que vacinas podem ter impacto além da infecção que buscam prevenir.
Para quem tem idade indicada, a conversa com o médico sobre a vacina contra herpes-zóster continua importante por seu benefício já estabelecido contra o cobreiro. O possível efeito sobre o cérebro é promissor, mas ainda deve ser visto como um campo em investigação.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









