A melancia é uma das frutas mais consumidas no verão, conhecida por hidratar o corpo e oferecer nutrientes valiosos como licopeno e vitaminas A e C. No entanto, o que pouca gente sabe é que comer melancia em excesso pode provocar desconfortos digestivos, alterações nos níveis de açúcar no sangue e, em casos específicos, um acúmulo perigoso de potássio no organismo. Entender esses riscos permite aproveitar todos os benefícios da fruta sem comprometer a saúde.
Por que a melancia em excesso afeta a digestão?
A melancia é composta por cerca de 91% de água e contém uma quantidade significativa de frutose, um tipo de açúcar natural. Quando consumida em grandes porções, essa combinação pode sobrecarregar o sistema digestivo e provocar sintomas como inchaço abdominal, gases, náuseas e até diarreia. Pessoas com sensibilidade a alimentos ricos em FODMAPs — carboidratos de difícil absorção — tendem a sentir esses efeitos com mais intensidade.
A fruta também contém sorbitol, um álcool de açúcar com efeito laxante quando ingerido em quantidade elevada. Por isso, mesmo quem não tem problemas digestivos pode sentir desconforto ao exagerar no consumo, especialmente em dias quentes quando a tendência é comer fatias maiores.
O risco pouco conhecido do potássio elevado
A melancia é uma fonte de potássio frequentemente subestimada. Apenas duas fatias médias da fruta podem conter cerca de 640 mg desse mineral, o que representa uma parcela significativa da ingestão diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde. Em pessoas saudáveis, o corpo elimina o excesso de potássio pela urina sem maiores problemas.
Porém, para quem tem doença renal crônica, insuficiência cardíaca ou diabetes tipo 1, o organismo pode não conseguir regular esse mineral de forma eficiente. O acúmulo de potássio no sangue — uma condição chamada hipercalemia — pode levar a batimentos cardíacos irregulares, fraqueza muscular e, em casos graves, risco à vida.

Série de casos publicada em revista médica reforça o alerta sobre a melancia
A relação entre o consumo excessivo de melancia e problemas de saúde não é apenas teórica. Segundo a série de casos “Watermelon-Induced Hyperkalemia: A Case Series”, publicada na revista Annals of Internal Medicine: Clinical Cases, três pacientes com doença renal avançada desenvolveram hipercalemia grave após consumirem grandes quantidades de melancia por semanas consecutivas. Em todos os casos, a redução do consumo da fruta foi suficiente para normalizar os níveis de potássio.
Os autores do estudo destacam que, diferentemente de alimentos como banana e batata, a melancia raramente é lembrada como fonte relevante de potássio, o que torna o risco ainda mais silencioso. A publicação reforça a importância de orientação alimentar personalizada, especialmente durante os meses mais quentes do ano.
Outros efeitos do consumo exagerado que merecem atenção
Além dos problemas digestivos e do risco de potássio elevado, comer melancia em excesso pode provocar outros efeitos indesejados. Alguns dos mais relatados incluem:
PICOS DE GLICOSE
O índice glicêmico elevado pode provocar aumentos rápidos do açúcar no sangue.
LICOPENODERMIA
O excesso de licopeno pode causar coloração alaranjada na pele, geralmente reversível.
RETENÇÃO DE LÍQUIDOS
A grande quantidade de água pode causar desequilíbrio de fluidos em pessoas vulneráveis.
DESCONFORTO NOTURNO
Por ser diurética, pode aumentar a frequência urinária e prejudicar o sono.
Como aproveitar a melancia de forma equilibrada e segura?
A melancia continua sendo uma excelente opção de fruta para o dia a dia, desde que consumida com moderação. As diretrizes alimentares recomendam cerca de duas xícaras de frutas por dia, e a melancia pode fazer parte dessa porção sem problemas para a maioria das pessoas. Combiná-la com uma fonte de proteína, como iogurte natural, ajuda a equilibrar a resposta glicêmica.
Pessoas com doenças renais, cardíacas ou metabólicas devem ter atenção redobrada e consultar um médico ou nutricionista antes de incluir grandes porções de melancia na alimentação. A orientação profissional é a melhor forma de ajustar o consumo às necessidades individuais e evitar efeitos colaterais inesperados.









