A nova diretriz da OMS para Ebola reforça que hospitais não devem esperar um caso suspeito chegar para organizar fluxos, treinar equipes e revisar equipamentos. Como a doença pode começar com febre e sintomas parecidos com outras infecções, a segurança depende de triagem rápida, isolamento precoce e prevenção rigorosa de contato com sangue e fluidos corporais.
O que a OMS atualizou
A OMS publicou em 17 de maio de 2026 a diretriz Infection prevention and control guideline for Ebola and Marburg diseases, voltada à prevenção e controle de infecção em surtos de Ebola e Marburg.
O documento reforça ações práticas para proteger pacientes, profissionais e comunidades, incluindo preparo institucional, uso correto de equipamentos de proteção, manejo seguro de resíduos e continuidade do cuidado durante emergências.
O primeiro ponto é triagem
Hospitais precisam garantir que qualquer pessoa com febre, mal-estar intenso, vômitos, diarreia ou sangramentos seja avaliada junto com o histórico de viagem, contato com doentes ou presença em área com surto.
- Definir perguntas padronizadas na recepção e no pronto atendimento;
- Identificar rapidamente viagem recente ou contato com caso suspeito;
- Orientar máscara e separação imediata quando houver suspeita;
- Acionar equipe treinada antes de procedimentos invasivos;
- Evitar circulação desnecessária do paciente pela unidade.

O isolamento deve estar pronto
O caso suspeito deve ser colocado em área separada, com acesso controlado e equipe mínima. O objetivo é reduzir a exposição enquanto a investigação clínica, epidemiológica e laboratorial é organizada.
Também é essencial que o hospital tenha rota definida para coleta de exames, descarte de materiais, limpeza do ambiente e comunicação com a vigilância em saúde. Improvisar esses passos durante o atendimento aumenta o risco de falhas.
O que diz um estudo científico
Segundo a revisão sistemática Infection Rates and Risk Factors for Infection Among Health Workers During Ebola and Marburg Virus Outbreaks, publicada no The Journal of Infectious Diseases, a infecção de profissionais de saúde foi frequente em diferentes surtos, especialmente quando havia equipamento de proteção inadequado ou atendimento a pacientes ainda não reconhecidos como casos de Ebola ou Marburg.
Esse achado explica por que a preparação precisa acontecer antes do primeiro atendimento. Em doenças de alto risco, o erro mais perigoso não é apenas a falta de um item, mas a soma de triagem falha, pouca prática, retirada incorreta do EPI e atraso no isolamento.

O que revisar nas equipes
Além de ter equipamentos disponíveis, hospitais precisam treinar o uso real dos protocolos. A retirada do EPI, por exemplo, deve ser supervisionada, pois é um momento com maior chance de contaminação.
- Treinar colocação e retirada de EPI com observador capacitado;
- Separar aventais impermeáveis, luvas, proteção ocular, máscara e proteção facial;
- Padronizar limpeza, desinfecção e descarte de resíduos infectantes;
- Definir quem aciona a vigilância e quem comunica a equipe interna;
- Revisar sinais e sintomas de Ebola em treinamentos periódicos.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, infectologista ou autoridade sanitária.









