A diverticulite acontece quando pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, chamadas divertículos, inflamam ou infeccionam, causando dor abdominal intensa e outros sintomas incômodos. Mais comum após os 50 anos, a condição pode variar de quadros leves, tratados em casa, a casos graves que exigem internação e cirurgia. Reconhecer os sinais cedo e adotar hábitos saudáveis faz toda a diferença na evolução do quadro e na prevenção de novas crises.
O que é diverticulite e como ela surge?
A diverticulite é a inflamação ou infecção dos divertículos, pequenas saliências em forma de bolsa que se desenvolvem ao longo do intestino grosso, geralmente na região do cólon sigmoide. Quando esses divertículos acumulam restos de alimentos ou bactérias, o processo inflamatório se instala.
A presença dos divertículos sem inflamação é chamada de diverticulose, condição muitas vezes silenciosa. Em cerca de 20% das pessoas com divertículos, contudo, ocorre a evolução para diverticulite ao longo da vida.

Quais são os principais sintomas da diverticulite?
O sintoma mais característico é a dor abdominal persistente, geralmente localizada no lado esquerdo inferior do abdome. A intensidade varia conforme o grau de inflamação e pode estar acompanhada de outros sinais de alerta.
Entre as manifestações clínicas mais comuns estão:

Em casos mais graves podem surgir sangramento retal, sinais de infecção generalizada ou peritonite, exigindo atendimento de urgência imediato.
Quais são os fatores de risco e como é o diagnóstico?
Idade avançada, sedentarismo, obesidade, tabagismo, dieta pobre em fibras e uso frequente de anti-inflamatórios não esteroides são fatores que aumentam o risco. Histórico familiar e prisão de ventre crônica também contribuem para o desenvolvimento da condição.
O diagnóstico é feito por um gastroenterologista ou clínico geral, que avalia os sintomas e solicita exames como tomografia computadorizada do abdome, hemograma e proteína C reativa. A colonoscopia costuma ser indicada após a fase aguda para excluir outras doenças intestinais.
Como um estudo científico orienta o tratamento atual?
Nos últimos anos, condutas tradicionais de tratamento da diverticulite vêm sendo revisadas com base em novas evidências clínicas. Pesquisadores têm avaliado se o uso rotineiro de antibióticos e a internação hospitalar são realmente necessários em todos os casos não complicados.
Segundo a revisão sistemática e meta-análise Systematic review and meta-analysis of the management of acute uncomplicated diverticulitis, publicada no International Journal of Colorectal Disease em 2024, o tratamento ambulatorial e a abordagem sem antibióticos são seguros e eficazes em pacientes selecionados com diverticulite aguda não complicada, com resultados comparáveis ao tratamento hospitalar tradicional.
Quais tratamentos clínicos e cirúrgicos estão disponíveis?
O tratamento depende da gravidade do quadro. Casos leves costumam ser conduzidos em casa, com repouso, dieta líquida nos primeiros dias e analgésicos. Já os casos moderados ou graves exigem internação para uso de antibióticos intravenosos, jejum e hidratação.
As principais abordagens terapêuticas incluem:
- Repouso intestinal e dieta líquida nas primeiras 48 a 72 horas
- Analgésicos simples como paracetamol ou dipirona
- Antibióticos orais ou intravenosos nos casos indicados
- Drenagem percutânea guiada por imagem em caso de abscesso
- Cirurgia de emergência em situações de perfuração, peritonite ou obstrução
- Colectomia eletiva em pacientes com crises recorrentes ou complicações
A prevenção de novas crises envolve aumento gradual do consumo de fibras, boa hidratação, prática regular de atividade física e controle do peso corporal.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Procure sempre um gastroenterologista ou clínico geral diante de dores abdominais persistentes ou sinais de infecção.









