A queda de cabelo costuma ser associada ao estresse ou à genética, mas em muitos casos a verdadeira causa está nas reservas de ferro do organismo. Mesmo sem anemia diagnosticada, níveis baixos de ferritina, a proteína que armazena esse mineral, podem comprometer o ciclo de crescimento dos fios e provocar queda difusa, especialmente em mulheres. Entender essa relação ajuda a investigar a causa real e evitar tratamentos que não atacam o problema na raiz.
Por que o ferro é tão importante para os fios?
O ferro participa diretamente da multiplicação celular nos folículos capilares e do transporte de oxigênio até o couro cabeludo. Quando a oferta desse mineral diminui, as células responsáveis pelo crescimento dos fios entram em uma espécie de modo de economia.
O resultado é a interrupção da fase de crescimento e o aumento da fase de queda, conhecida como eflúvio telógeno. Os fios afinam, perdem brilho e caem em maior quantidade, mesmo sem nenhuma alteração visível no couro cabeludo.
Por que a ferritina baixa pode causar queda mesmo sem anemia?
A ferritina reflete os estoques de ferro no organismo e cai antes da hemoglobina apresentar alterações. Por isso, exames como hemograma comum podem aparecer normais enquanto os folículos capilares já estão sofrendo as consequências da deficiência.
Esse é um dos motivos pelos quais a queda de cabelo persistente exige investigação ampla. Avaliar apenas o ferro sérico ou o hemograma pode mascarar uma carência que já compromete a saúde dos fios há meses.

Como um estudo científico relaciona ferritina e queda capilar?
A associação entre níveis baixos de ferritina e queda de cabelo é objeto de pesquisa há décadas, especialmente em mulheres com alopecia não cicatricial. Investigações recentes trouxeram dados objetivos que ajudam dermatologistas a identificar quando a reposição de ferro pode reverter o quadro.
Segundo o estudo Serum ferritin and vitamin D in female hair loss: do they play a role?, publicado na revista Skin Pharmacology and Physiology, mulheres com eflúvio telógeno crônico apresentaram ferritina média de 14,7 µg/L, contra 43,5 µg/L no grupo sem queda capilar. Os autores concluíram que a avaliação de ferritina e vitamina D deve fazer parte da rotina diante de quadros de queda difusa, e que a reposição direcionada favorece a recuperação dos fios.
Quais sinais indicam que é hora de investigar?
Nem toda queda capilar tem origem nutricional, mas alguns sintomas associados sugerem deficiência de ferro e merecem avaliação médica. Observar o conjunto desses sinais ajuda a identificar o momento certo de procurar um dermatologista:

Conforme orientações da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a investigação deve incluir hemograma, ferritina, ferro sérico, vitamina D, zinco e exames hormonais. O tratamento da queda de cabelo só é eficaz quando a causa é identificada com precisão.
Como repor o ferro de forma adequada?
A alimentação é a base para manter os estoques de ferro em níveis saudáveis. Combinar fontes do mineral com vitamina C aumenta a absorção em até três vezes, enquanto leite, café e chá tomados durante as refeições reduzem essa absorção. Veja boas opções para incluir no cardápio diário:
- Carnes vermelhas magras, fígado e frango
- Peixes, frutos do mar e ovos
- Feijão, lentilha e grão-de-bico
- Espinafre, couve, agrião e brócolis
- Beterraba, semente de abóbora e oleaginosas
- Frutas cítricas como laranja, kiwi e acerola para potencializar a absorção
Quando os estoques estão muito reduzidos, apenas a alimentação pode não ser suficiente. Nesses casos, a suplementação oral ou intravenosa de ferro pode ser necessária, mas deve ser sempre orientada por um profissional, já que o excesso desse mineral também é prejudicial e pode causar efeitos adversos. Diante de queda capilar persistente, é fundamental procurar um dermatologista ou clínico geral para avaliação clínica, solicitação de exames e definição do tratamento mais adequado ao seu caso.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um dermatologista ou clínico, que devem ser consultados para diagnóstico preciso e indicação do tratamento adequado.









