Acordar com as mãos dormentes ou formigando é mais comum do que parece e pode ter causas que vão desde uma simples posição inadequada ao dormir até condições que merecem atenção médica. Na maioria dos casos, a dormência acontece porque um nervo da mão, do punho ou do braço é comprimido durante o sono, interrompendo temporariamente os sinais nervosos. Entender por que isso acontece é o primeiro passo para encontrar soluções práticas e dormir melhor.
Por que as mãos ficam dormentes durante a noite?
Durante o sono, perdemos o controle consciente sobre a posição do corpo. É comum que os punhos se dobrem, que os braços fiquem sob o travesseiro ou que os cotovelos permaneçam muito flexionados por longos períodos. Essas posturas comprimem os nervos responsáveis pela sensibilidade das mãos, reduzindo o fluxo sanguíneo e provocando aquela sensação de formigamento ou “agulhadas” ao acordar.
Os três principais nervos envolvidos são o nervo mediano, que passa pelo túnel do carpo no punho, o nervo ulnar, que corre ao longo do cotovelo, e o nervo radial, que percorre o braço. Dependendo de qual nervo é pressionado, a dormência pode afetar dedos diferentes ou até a mão inteira.
Principais causas da dormência nas mãos ao dormir
Embora a posição de dormir seja a causa mais frequente, outros fatores podem contribuir para o aparecimento ou agravamento dos sintomas. As causas mais comuns incluem:
POSIÇÃO INADEQUADA
Dormir sobre as mãos ou com os punhos dobrados comprime nervos e prejudica a circulação.
TÚNEL DO CARPO
A compressão do nervo mediano causa dormência no polegar, indicador e médio.
NERVO ULNAR
Flexionar o cotovelo pode comprimir o nervo ulnar, afetando o mínimo e o anelar.
VITAMINA B12
A deficiência dessa vitamina pode causar formigamento nas mãos e pés.
DIABETES E COLUNA
Neuropatia diabética e problemas cervicais podem comprometer os nervos das mãos.
Estudo confirma relação entre posição do punho e dormência noturna
A influência da posição ao dormir sobre a dormência nas mãos é respaldada por pesquisas recentes. Segundo o estudo intitulado “Preferences in Sleep Position Correlate With Nighttime Paresthesias in Healthy People Without Carpal Tunnel Syndrome”, publicado na revista Hand e disponível no PubMed, cerca de 33% dos participantes relataram sentir dormência ou formigamento nas mãos pelo menos uma vez por semana. Os pesquisadores avaliaram 396 pessoas e identificaram que dormir com os punhos flexionados estava significativamente associado a episódios mais frequentes de dormência noturna. O estudo também apontou que manter os punhos retos durante o sono reduzia a incidência dos sintomas, mesmo em pessoas sem diagnóstico de síndrome do túnel do carpo.

Soluções práticas para reduzir a dormência nas mãos
Algumas mudanças simples nos hábitos noturnos podem fazer grande diferença para quem acorda frequentemente com as mãos dormentes. As estratégias mais recomendadas incluem:
- Manter os punhos em posição neutra — evite dormir com os punhos dobrados. Usar uma tala ou órtese noturna pode ajudar a manter essa posição durante toda a noite.
- Ajustar a posição de dormir — evite colocar as mãos sob o travesseiro ou a cabeça. Dormir de barriga para cima com os braços ao lado do corpo favorece a circulação.
- Fazer alongamentos antes de deitar — rotações suaves dos punhos e extensão dos dedos ajudam a aliviar a tensão acumulada e preparar os nervos para o descanso.
- Escolher um travesseiro adequado — um travesseiro que mantenha a coluna cervical alinhada reduz a compressão dos nervos que se estendem do pescoço até as mãos.
Quando a dormência nas mãos exige atenção médica?
Acordar ocasionalmente com a mão dormente após uma noite mal dormida é normal e costuma se resolver em poucos minutos ao mudar de posição. No entanto, quando a dormência se torna frequente, persiste durante o dia, vem acompanhada de fraqueza, dor intensa ou dificuldade para segurar objetos, é sinal de que algo além da posição de dormir pode estar envolvido.
Nesses casos, é fundamental procurar um médico, que poderá solicitar exames como a eletroneuromiografia para avaliar a saúde dos nervos e identificar a causa exata do problema. Somente um profissional de saúde pode determinar se há necessidade de tratamento específico e orientar as melhores condutas para o seu caso.









