A falta de magnésio é apontada por estudos de neurologia como um dos fatores que contribuem diretamente para o aumento da frequência e da intensidade das crises de enxaqueca. Esse mineral participa da regulação dos neurônios trigeminais e do tônus dos vasos cerebrais, dois mecanismos centrais no surgimento da dor. Entender essa conexão ajuda a montar estratégias de prevenção mais eficazes e bem fundamentadas.
Como o magnésio atua no sistema nervoso?
O magnésio participa de mais de 300 reações enzimáticas no organismo, incluindo processos essenciais para o funcionamento cerebral. Ele bloqueia receptores NMDA, controla a liberação de neurotransmissores e regula a excitabilidade dos neurônios trigeminais, estrutura diretamente envolvida na origem da dor da enxaqueca.
Quando os níveis desse mineral estão baixos, os vasos sanguíneos cerebrais ficam mais reativos e o limiar para o início de uma crise diminui. Esse desequilíbrio favorece a chamada depressão cortical alastrante, fenômeno considerado central no desencadeamento dos episódios.
Por que a deficiência de magnésio é tão comum em quem tem enxaqueca?
Pesquisas indicam que até metade dos pacientes com enxaqueca crônica apresenta deficiência desse mineral, seja no sangue, no líquido cefalorraquidiano ou dentro das células. Essa carência pode passar despercebida em exames de rotina, especialmente quando apenas o magnésio sérico é avaliado.
A baixa ingestão alimentar, o estresse crônico, o uso prolongado de certos medicamentos e dietas ricas em ultraprocessados são fatores que contribuem para essa redução. Por isso, é comum que pacientes com crises frequentes se beneficiem de uma avaliação nutricional detalhada.

Como um estudo científico confirma essa relação?
A ligação entre magnésio e enxaqueca já foi tema de revisões publicadas em revistas científicas de referência, que avaliaram tanto a fisiopatologia quanto os ensaios clínicos disponíveis. Esse tipo de evidência ajuda a entender em quais situações a suplementação realmente faz diferença.
Segundo a revisão Magnesium as an Important Factor in the Pathogenesis and Treatment of Migraine, publicada na revista Nutrients, a deficiência desse mineral está envolvida na depressão cortical alastrante e na neurotransmissão glutamatérgica anormal, dois processos relacionados ao surgimento das crises. Os autores reforçam que a suplementação, na dose e na forma adequadas, pode ser uma estratégia preventiva útil em pacientes selecionados.
Quais alimentos são fontes de magnésio?
Antes de pensar em suplementos, é possível aumentar a ingestão de magnésio por meio de uma alimentação variada, baseada em comida de verdade. Esse cuidado ajuda a manter os estoques do mineral em níveis adequados ao longo do tempo, complementando o tratamento da enxaqueca indicado pelo médico.
Algumas das melhores fontes naturais de magnésio são:

Quando a suplementação pode ser indicada?
Em pacientes com deficiência confirmada do mineral ou crises frequentes que não respondem bem aos tratamentos habituais, a suplementação de magnésio pode ser considerada como apoio preventivo. As doses estudadas costumam variar entre 400 mg e 600 mg por dia, sempre com orientação profissional.
Algumas situações que merecem atenção e avaliação especializada incluem:
- Crises de enxaqueca em mais de quatro dias por mês
- Dor que não responde aos analgésicos comuns ou exige uso frequente de medicação
- Episódios acompanhados de aura, alterações visuais ou sintomas neurológicos novos
- Cãibras, fadiga persistente, alterações no sono ou ansiedade associadas às crises
- Uso de medicamentos que podem reduzir os níveis de magnésio, como diuréticos e inibidores de bomba de prótons
Antes de iniciar qualquer suplemento, é fundamental procurar um neurologista, clínico geral ou nutricionista para avaliação clínica, dosagem laboratorial e definição da forma e da quantidade mais adequadas. O acompanhamento profissional é o caminho mais seguro para tratar a enxaqueca de forma eficaz e duradoura.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou as orientações de um profissional de saúde qualificado.









