O selênio é o mineral com maior respaldo científico para proteção articular, atuando como componente essencial de selenoproteínas antioxidantes que neutralizam radicais livres nas articulações, reduzem inflamação crônica e protegem a cartilagem contra degradação. Estudos demonstram que pessoas com artrite reumatoide e osteoartrite apresentam níveis séricos de selênio significativamente mais baixos que indivíduos saudáveis, e que a correção dessa deficiência reduz dor articular, melhora a mobilidade e pode retardar a progressão de doenças articulares debilitantes.
Como o selênio protege a cartilagem e as articulações?
O selênio não age diretamente nas articulações, mas é incorporado em selenoproteínas como a glutationa peroxidase, que desempenham papel crucial na defesa antioxidante do tecido articular. Nas articulações inflamadas, a pressão mecânica e a resposta imune geram estresse oxidativo intenso com produção de radicais livres que danificam o colágeno tipo II, os proteoglicanos e os condrócitos, células responsáveis pela manutenção da cartilagem.
Estudos recentes demonstram que o selênio protege condrócitos através da ativação da via Nrf2, aumentando a síntese de glutationa e enzimas antioxidantes como superóxido dismutase e glutationa reductase, neutralizando radicais livres excessivos. Simultaneamente, o selênio inibe a via NF-κB, principal ativador de citocinas pró-inflamatórias como TNF-alfa e interleucinas que promovem degradação da cartilagem e estimulam enzimas destrutivas como MMP-3 e MMP-13. Essa dupla ação antioxidante e anti-inflamatória explica porque a deficiência de selênio está implicada na patogênese tanto da osteoartrite quanto da artrite reumatoide.

Meta-análise recente comprova benefícios do selênio na redução de dor articular
A eficácia da suplementação de selênio em pacientes com artrite reumatoide foi confirmada em uma importante meta-análise e revisão sistemática publicada no Journal of Trace Elements in Medicine and Biology em 2025. Segundo a meta-análise publicada no Journal of Trace Elements in Medicine and Biology, que analisou sete ensaios clínicos randomizados envolvendo trezentos e sessenta e sete pacientes com artrite reumatoide, a suplementação de selênio foi eficaz na redução da dor articular medida pela Escala Visual Analógica em doze vírgula sessenta e oito milímetros.
A pesquisa também demonstrou que o selênio reduziu significativamente o Índice de Ritchie, que mede a sensibilidade articular ao toque, com diferença média de um vírgula treze pontos. Embora os pesquisadores apontem que estudos adicionais ainda sejam necessários para confirmar efeitos sobre velocidade de hemossedimentação, proteína C-reativa, rigidez matinal e inchaço articular, os resultados confirmam que a suplementação de selênio tem efeitos benéficos para alívio de dor articular em pacientes com artrite reumatoide, abrindo perspectivas para uso como adjuvante nutricional no tratamento dessas condições.
Principais fontes alimentares de selênio para saúde articular
Garantir ingestão adequada de selênio através da alimentação é a estratégia mais segura para manter a saúde das articulações. As melhores fontes incluem:
CASTANHA-DO-PARÁ
Uma a duas unidades fornecem mais de 100% da necessidade diária de selênio.
FRUTOS DO MAR
Ostras, atum, camarão e sardinha fornecem entre 30 e 90 mcg por porção.
CARNES MAGRAS
Frango, peru e carne bovina oferecem 20 a 40 mcg por 100 g.
SHIITAKE
Fonte de selênio e compostos anti-inflamatórios benéficos às articulações.
OVOS
Uma unidade média contém cerca de 15 mcg de selênio biodisponível.
CEREAIS INTEGRAIS
Arroz integral, aveia e pão integral fornecem selênio conforme o teor do solo.
Relação entre deficiência de selênio e doenças nas articulações
Evidências epidemiológicas consistentes demonstram que deficiência de selênio está associada a maior risco e progressão de doenças articulares. A doença de Kashin-Beck, um distúrbio do desenvolvimento esquelético que afeta articulações, é endêmica em regiões com solos deficientes em selênio como partes da China, Coreia do Norte e Sibéria, sendo a suplementação com selênio o principal tratamento preventivo validado por meta-análise de quinze estudos controlados.
Em relação à osteoartrite, a deficiência de selênio leva ao aumento de estresse oxidativo nos condrócitos, aceleração da destruição da matriz cartilaginosa e progressão da doença. Um estudo com cinquenta e um pacientes com artrite reumatoide moderada a grave demonstrou que duzentos microgramas de selênio oral duas vezes ao dia por doze semanas reduziram significativamente os sintomas clínicos e dor articular, enquanto o grupo placebo não apresentou mudanças relevantes.
Como usar o selênio de forma segura e quem se beneficia mais?
A necessidade diária de selênio para adultos é de cinquenta e cinco microgramas, com limite máximo seguro de suplementação em quatrocentos microgramas por dia, segundo recomendações da OMS. A maioria das pessoas consegue suprir suas necessidades através da alimentação variada, mas alguns grupos são mais vulneráveis à deficiência: idosos com menor absorção intestinal, pessoas que seguem dietas restritivas sem alimentos animais, populações em regiões com solos pobres em selênio e pacientes com doenças inflamatórias articulares que apresentam maior perda do mineral.
Suplementação acima de quatrocentos microgramas diários pode causar selenose, condição caracterizada por queda de cabelo, fragilidade de unhas, náuseas, fadiga, irritabilidade e, em casos graves, neuropatia periférica. A castanha-do-pará, apesar de natural, pode fornecer doses muito elevadas se consumida em grandes quantidades regularmente. Para avaliação dos seus níveis de selênio através de dosagem sérica, diagnóstico de possível deficiência como fator contribuinte para sintomas articulares, e orientações personalizadas sobre suplementação segura como adjuvante no tratamento de artrite ou osteoartrite, consulte sempre um reumatologista ou médico especialista em nutrição clínica.









