Estudos científicos recentes demonstram que banhos quentes à noite, com água entre quarenta e quarenta e um graus Celsius, podem reduzir significativamente a pressão arterial por até vinte e quatro horas após a imersão. Pesquisas publicadas em 2024 e 2025 confirmam que banhar-se em água quente por vinte a quarenta minutos antes de dormir reduz a pressão arterial sistólica em seis a treze milímetros de mercúrio, efeito comparável a alguns medicamentos anti-hipertensivos e que pode ser incorporado como terapia adjuvante segura e acessível no controle da hipertensão.
Como banhos quentes reduzem a pressão arterial?
A imersão em água quente entre trinta e oito e quarenta e um graus Celsius produz múltiplos efeitos fisiológicos que contribuem para a redução da pressão arterial. O calor ativa o sistema nervoso parassimpático, promovendo vasodilatação dos vasos sanguíneos periféricos e consequente diminuição da resistência vascular, enquanto estimula a liberação de peptídeo natriurético atrial e cerebral, hormônios que induzem relaxamento vascular e excreção de sódio pelos rins.
Adicionalmente, a pressão hidrostática da água comprime os vasos sanguíneos, aumentando temporariamente o retorno venoso e o débito cardíaco, ativando barorreceptores que respondem desligando mecanismos vasoconstritores e promovendo relaxamento cardiovascular prolongado. Estudos demonstram que a temperatura ideal está entre quarenta e quarenta e um graus Celsius, pois água acima de quarenta e dois graus ativa o sistema nervoso simpático, causando vasoconstrição e elevação da pressão arterial, efeito oposto ao desejado.

Estudo recente comprova eficácia de banhos noturnos na redução da pressão
A eficácia dos banhos quentes noturnos na redução da pressão arterial foi confirmada em um estudo randomizado cruzado publicado em janeiro de 2025 na revista Temperature. Segundo o estudo publicado na revista Temperature, que avaliou dezesseis participantes com hipertensão usando monitoramento ambulatorial por vinte e quatro horas, a pressão arterial sistólica foi sete milímetros de mercúrio menor após quarenta minutos de imersão em água quente a quarenta graus Celsius.
A pesquisa revelou que até mesmo vinte minutos de imersão em água quente reduziu a pressão sistólica em seis milímetros de mercúrio nas vinte e quatro horas seguintes, e surpreendentemente, imersão em água termoneutra de trinta e seis vírgula cinco graus por quarenta minutos também produziu redução de seis milímetros de mercúrio. Os pesquisadores concluíram que como terapia anti-hipertensiva adjuvante, a temperatura da água pode não precisar ser mantida em aproximadamente quarenta graus Celsius, reduzindo os requisitos de aquecimento e tornando o tratamento mais acessível através de banheiras caseiras ou imersões de pernas em pequenas tinas.
Protocolo ideal para banhos terapêuticos anti-hipertensivos
Para obter máximo benefício na redução da pressão arterial, siga este protocolo baseado em evidências científicas:
TEMPERATURA IDEAL
Mantenha a água entre 38 °C e 41 °C, usando termômetro para evitar excessos.
DURAÇÃO
Permaneça em imersão por 20 a 40 minutos para obter efeito hipotensivo seguro.
HORÁRIO IDEAL
Realize o banho à noite, 60 a 90 minutos antes de dormir.
NÍVEL DE IMERSÃO
A água deve atingir o nível do peito para potencializar a pressão hidrostática.
FREQUÊNCIA
Realize 4 a 7 sessões por semana para melhores resultados.
HIDRATAÇÃO
Beba água antes e depois para evitar desidratação pela transpiração.
RESFRIAMENTO
Saia lentamente da banheira e permaneça sentado por alguns minutos.
Benefícios adicionais dos banhos quentes para saúde cardiovascular
Além da redução imediata da pressão arterial, banhos quentes regulares oferecem benefícios cardiovasculares a longo prazo. Estudos prospectivos com seguimento de até vinte e cinco anos demonstram que pessoas que se banham em água quente quatro a sete vezes por semana apresentam quarenta e seis por cento menos risco de desenvolver hipertensão comparadas àquelas que se banham uma vez por semana.
Banhos quentes melhoram a função endotelial, a capacidade dos vasos sanguíneos de dilatarem e contraírem adequadamente, reduzem marcadores inflamatórios sistêmicos associados a doenças cardiovasculares, e melhoram o perfil lipídico ao aumentar o colesterol HDL. Pesquisas também demonstram melhora na qualidade do sono quando banhos quentes são realizados sessenta a noventa minutos antes de dormir, sendo o sono de qualidade um fator crucial no controle da pressão arterial noturna e diurna.
Precauções importantes para banhos quentes em hipertensos
Embora banhos quentes sejam seguros para a maioria das pessoas com hipertensão tratada, algumas precauções são essenciais. Estudos demonstram que pessoas com hipertensão controlada experimentam quedas na pressão arterial semelhantes às de pessoas normotensas, sem sintomas como tontura, dor torácica ou palpitações, validando a segurança do procedimento quando realizado corretamente.
No entanto, pessoas com doença cardiovascular instável, incluindo angina instável, infarto recente nos últimos seis meses, insuficiência cardíaca descompensada ou arritmias graves, devem consultar cardiologista antes de iniciar banhos quentes regulares. A pressão arterial deve ser monitorada regularmente para avaliar resposta individual, e pacientes que usam múltiplos medicamentos anti-hipertensivos devem estar atentos a sintomas de hipotensão excessiva como tontura ao levantar. Se você apresenta hipertensão não controlada, doenças cardiovasculares ou condições que afetam a termorregulação, consulte sempre um cardiologista antes de incorporar banhos quentes terapêuticos na rotina, e jamais substitua medicamentos prescritos por banhos quentes sem orientação médica expressa.









