A coceira ou sensação de desconforto nas pernas ao se deitar, especialmente à noite, pode ser um sinal de deficiência de ferro no organismo. Essa condição está frequentemente associada à síndrome das pernas inquietas, um distúrbio neurológico caracterizado por uma necessidade incontrolável de mover as pernas durante períodos de repouso. Embora existam diversas causas para esse problema, a falta de ferro é uma das mais comuns e tratáveis, afetando especialmente mulheres e pessoas com níveis baixos de ferritina no sangue.
O que é a síndrome das pernas inquietas?
A síndrome das pernas inquietas, também conhecida como doença de Willis-Ekbom, é um distúrbio sensório-motor que provoca sensações desagradáveis nas pernas durante o repouso. Os sintomas incluem formigamento, coceira, queimação, sensação de agulhadas ou até mesmo uma sensação difícil de descrever que só alivia com o movimento das pernas. Essas manifestações tendem a piorar no final da tarde e à noite, prejudicando significativamente a qualidade do sono.
O problema afeta entre 5% e 15% da população geral, com maior prevalência em mulheres. Durante a gestação, até 25% das grávidas podem desenvolver os sintomas, que geralmente aparecem com mais intensidade no terceiro trimestre. A síndrome compromete o descanso noturno, causando cansaço excessivo durante o dia e impactando negativamente a qualidade de vida de quem sofre com o distúrbio.
Como a deficiência de ferro causa coceira nas pernas?
O ferro desempenha um papel fundamental no funcionamento adequado do sistema nervoso central. Quando os níveis desse mineral estão baixos, especialmente no cérebro, ocorrem alterações na produção e regulação da dopamina, um neurotransmissor essencial para controlar movimentos e sensações. A deficiência de ferro cerebral está diretamente relacionada ao desenvolvimento e agravamento dos sintomas da síndrome das pernas inquietas.
Mesmo pessoas sem anemia podem apresentar deficiência de ferro suficiente para causar sintomas nas pernas. Estudos mostram que níveis de ferritina abaixo de 75 microgramas por litro estão associados a maior risco de desenvolver a síndrome. A ferritina representa os estoques de ferro no organismo, e sua redução compromete o transporte adequado desse mineral para o cérebro, desencadeando as sensações desconfortáveis características do problema.

Estudo científico comprova relação entre ferro e pernas inquietas
Pesquisas científicas têm demonstrado de forma consistente a conexão entre deficiência de ferro e síndrome das pernas inquietas. Um estudo piloto randomizado, duplo-cego e controlado conduzido por Short e colaboradores, publicado na revista American Journal of Hematology em 2024, avaliou a eficácia e segurança do tratamento com ferro intravenoso comparado ao ferro oral em 100 pacientes com síndrome das pernas inquietas e anemia por deficiência de ferro.
Segundo o estudo publicado na American Journal of Hematology, tanto o ferro intravenoso quanto o oral resultaram em melhora significativa dos sintomas da síndrome das pernas inquietas, sem diferença estatística entre os grupos. Os pesquisadores destacaram que pacientes com anemia por deficiência de ferro apresentam uma prevalência cinco a seis vezes maior de síndrome das pernas inquietas em comparação à população geral. Os resultados reforçam que a reposição adequada de ferro é uma estratégia terapêutica eficaz para aliviar os sintomas de coceira e desconforto nas pernas.
Sintomas que indicam deficiência de ferro
Além da coceira e desconforto nas pernas ao deitar, a deficiência de ferro pode causar diversos outros sintomas que merecem atenção. Reconhecer esses sinais precocemente permite iniciar o tratamento adequado antes que o problema se agrave e comprometa ainda mais a qualidade de vida.
CANSANÇO EXCESSIVO
Fadiga persistente pode indicar baixa hemoglobina.
PALIDEZ
Pele e mucosas mais claras podem sinalizar deficiência de ferro.
DIFICULDADE DE CONCENTRAÇÃO
Pode prejudicar memória e atenção pela menor oxigenação cerebral.
UNHAS FRACAS
Pode causar fragilidade e descamação das unhas.
QUEDA DE CABELO
Pode estar relacionada a níveis inadequados de ferro.
Tratamento e prevenção da deficiência de ferro
O tratamento da deficiência de ferro depende da gravidade do quadro e dos níveis de ferritina no sangue. Para casos leves a moderados, a suplementação oral com doses entre 30 e 45 miligramas de ferro elementar por dia, durante três a seis meses, costuma ser suficiente. Formas de ferro quelado, bisglicinato ou lipossomado são melhor toleradas e causam menos efeitos colaterais gastrointestinais. Já para deficiências graves ou quando a ferritina está muito baixa, o ferro intravenoso pode ser necessário para correção mais rápida.
A alimentação também desempenha papel importante na prevenção e tratamento. Incluir alimentos ricos em ferro como carnes vermelhas, fígado, feijão, lentilha, espinafre e vegetais verde-escuros ajuda a manter os estoques adequados. Consumir vitamina C junto com fontes de ferro vegetal melhora significativamente a absorção do mineral. Evitar chá preto, café e leite próximo às refeições principais também é recomendado, pois essas bebidas prejudicam a absorção de ferro.
Quando procurar orientação médica?
Se você experimenta coceira, formigamento ou desconforto nas pernas ao deitar que prejudica seu sono, é fundamental buscar avaliação médica. Um neurologista ou médico especialista em medicina do sono pode realizar o diagnóstico adequado da síndrome das pernas inquietas e investigar suas possíveis causas, incluindo a deficiência de ferro através de exames de sangue que medem hemoglobina, ferritina e transferrina.
O tratamento deve ser individualizado e pode incluir não apenas a reposição de ferro, mas também outras medidas terapêuticas conforme a gravidade dos sintomas. Nunca inicie suplementação de ferro por conta própria sem orientação profissional, pois o excesso desse mineral pode ser prejudicial à saúde. Um médico poderá avaliar seu caso específico, identificar a causa da deficiência e prescrever o tratamento mais adequado para aliviar seus sintomas e melhorar sua qualidade de vida.









