O glúten ganhou fama de vilão digestivo e hoje é apontado como culpado por praticamente qualquer desconforto abdominal. No entanto, pesquisas recentes mostram que, exceto em casos de doença celíaca ou alergia ao trigo, o glúten não é o principal responsável pelo inchaço abdominal na maioria das pessoas. Outros fatores, como os FODMAPs e alterações na microbiota intestinal, costumam ter impacto muito maior. Entenda o que a ciência diz sobre o tema.
O que é a sensibilidade ao glúten não celíaca?
A sensibilidade ao glúten não celíaca é uma condição real, caracterizada por sintomas gastrointestinais e extraintestinais que aparecem após o consumo de alimentos com glúten, em pessoas nas quais a doença celíaca e a alergia ao trigo foram descartadas. Ela é, no entanto, menos comum do que se imagina.
Diferente da doença celíaca, essa condição não causa lesão no intestino delgado e não envolve uma reação autoimune. O diagnóstico é feito por exclusão, já que ainda não existem marcadores laboratoriais específicos para identificá-la.
Quais são as causas mais frequentes do inchaço abdominal?
Grande parte do inchaço abdominal atribuído ao glúten tem, na verdade, outras origens. Os FODMAPs, carboidratos fermentáveis presentes em diversos alimentos, são um dos principais responsáveis pelos sintomas. A disbiose intestinal, o desequilíbrio da microbiota, também tem papel relevante.
Entre as causas mais comuns de inchaço estão:

O que diz a ciência sobre glúten e inchaço?
Pesquisadores têm investigado se o glúten realmente é o responsável pelos sintomas relatados por pessoas que se dizem sensíveis a ele, comparando seus efeitos com os de outros componentes do trigo.
Segundo o estudo Fructan, Rather Than Gluten, Induces Symptoms in Patients With Self-Reported Non-Celiac Gluten Sensitivity, publicado na revista Gastroenterology, pesquisadores noruegueses avaliaram 59 pessoas que se consideravam sensíveis ao glúten e descobriram que os frutanos, um tipo de FODMAP presente no trigo, provocaram mais inchaço e sintomas intestinais do que o próprio glúten, que teve efeito semelhante ao placebo.

Como identificar a verdadeira causa do inchaço?
Antes de cortar o glúten por conta própria, é importante investigar a origem dos sintomas com auxílio profissional. A avaliação costuma incluir exames para descartar doença celíaca, testes de intolerância alimentar e, em alguns casos, exames para avaliar a microbiota ou identificar o SIBO.
A dieta de exclusão com baixo teor de FODMAPs, feita sob acompanhamento de um nutricionista, é uma das estratégias mais eficazes para identificar gatilhos específicos. Adotar uma dieta FODMAP por um período limitado pode ajudar a distinguir o papel dos diferentes alimentos nos sintomas.
Quando procurar ajuda médica?
O inchaço ocasional é comum e geralmente não representa um problema grave, mas alguns sinais merecem atenção. Procurar avaliação é indicado quando o desconforto é frequente, persistente, acompanhado de dor, perda de peso sem motivo, alteração do ritmo intestinal, sangramentos ou cansaço excessivo.
Cortar o glúten por conta própria pode dificultar o diagnóstico de condições como a doença celíaca, além de gerar restrições alimentares desnecessárias. Diante de sintomas persistentes, é fundamental buscar a orientação de um médico gastroenterologista ou nutricionista, que poderá indicar os exames adequados e construir um plano individualizado para identificar a verdadeira causa do inchaço.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









