Sentir as pernas pesadas no fim do dia, notar inchaço nos tornozelos ou perceber o aparecimento de varizes são queixas comuns, e muitas vezes encaradas como simples cansaço. Em alguns casos, porém, esses sinais podem indicar que a circulação dos membros inferiores não está funcionando como deveria. Reconhecer os sintomas cedo é fundamental para evitar complicações e preservar a saúde vascular.
Como funciona a circulação nas pernas
A circulação das pernas depende de dois sistemas principais. As artérias levam o sangue oxigenado do coração até os tecidos, enquanto as veias fazem o caminho inverso, trazendo o sangue de volta contra a ação da gravidade, com ajuda das válvulas venosas e da contração dos músculos da panturrilha, muitas vezes chamada de segundo coração.
Quando algo compromete esse fluxo, seja nas artérias ou nas veias, os sintomas começam a aparecer e podem evoluir lentamente ao longo dos anos.
Sinais de má circulação venosa
Os problemas venosos, como a insuficiência venosa crônica e as varizes, são os mais comuns. Eles costumam provocar sintomas que pioram ao longo do dia, especialmente em quem passa muito tempo em pé ou sentado. Entre os mais frequentes estão:
- Sensação de peso e cansaço nas pernas, geralmente no fim do dia
- Inchaço nos tornozelos e panturrilhas, que melhora ao elevar as pernas
- Dor, ardência ou queimação, especialmente em dias quentes
- Cãibras noturnas frequentes
- Aparecimento de vasinhos ou varizes visíveis
- Manchas amarronzadas próximas aos tornozelos
- Pele mais fina, ressecada e sensível na região das canelas
- Em casos avançados, feridas de difícil cicatrização

Sinais de má circulação arterial
Já os problemas arteriais costumam afetar pessoas mais velhas, fumantes, diabéticas ou com colesterol alto, e envolvem o estreitamento das artérias que levam sangue às pernas. O principal sintoma é a chamada claudicação intermitente, uma dor que surge durante a caminhada e alivia com o repouso.
Outros sinais incluem sensação de frieza em uma das pernas, palidez, diminuição dos pelos no membro afetado, unhas que crescem mais devagar, feridas que não cicatrizam e, em casos graves, dor nas pernas mesmo em repouso, especialmente à noite.
O que diz o estudo científico sobre doença arterial periférica
A doença arterial periférica tem sido cada vez mais reconhecida como uma condição subdiagnosticada e com impacto importante na saúde cardiovascular. Segundo a revisão Lower Extremity Peripheral Artery Disease Without Chronic Limb-Threatening Ischemia: A Review, publicada no periódico JAMA em 2021, a doença arterial periférica afeta cerca de 230 milhões de pessoas no mundo e pode ser diagnosticada de forma não invasiva por meio do índice tornozelo-braquial (ITB), calculado pela razão entre a pressão arterial medida no tornozelo e no braço.
A revisão destaca que um valor de ITB abaixo de 0,90 tem alta especificidade para detectar estreitamento arterial significativo, e que a claudicação, caracterizada por dor na panturrilha ao esforço que alivia em até 10 minutos de repouso, é considerada o sintoma clássico, embora muitos pacientes apresentem sintomas atípicos ou não tenham queixas nas pernas.

Principais exames vasculares
Quando há suspeita de problemas circulatórios nas pernas, o angiologista ou cirurgião vascular costuma indicar exames específicos para avaliar o fluxo sanguíneo e definir o diagnóstico. Entre os mais utilizados estão:
- Ecodoppler venoso ou arterial — exame de imagem não invasivo que avalia o fluxo de sangue nas veias ou artérias
- Índice tornozelo-braquial (ITB) — compara a pressão arterial no braço e no tornozelo, útil para investigar doença arterial periférica
- Angiotomografia ou angiorressonância — exames de imagem mais detalhados, usados quando há necessidade de planejar tratamentos
- Pletismografia — avalia variações no volume de sangue nos membros
- Avaliação clínica com exame físico, histórico de sintomas e fatores de risco como tabagismo, diabetes e hipertensão
Se os sintomas forem persistentes, pioram com o tempo ou vêm acompanhados de dor intensa, vermelhidão súbita, inchaço em apenas uma das pernas ou feridas que não cicatrizam, é fundamental procurar avaliação médica o quanto antes, pois podem indicar quadros como trombose venosa profunda, que exigem atendimento imediato. Para mais informações sobre o tema, vale conferir o conteúdo completo sobre má circulação no Tua Saúde.
As informações deste artigo têm caráter exclusivamente informativo e não substituem a avaliação de um médico. Diante de sintomas persistentes relacionados à circulação das pernas, procure um angiologista ou cirurgião vascular para diagnóstico e tratamento adequados.









