Quando o assunto é gordura no fígado, as recomendações mais comuns giram em torno de perder peso, cortar o açúcar e fazer exercícios. Tudo isso é fundamental, mas existe um mineral que participa diretamente do combate à inflamação e ao acúmulo de gordura nas células hepáticas e que raramente aparece nessas orientações: o zinco. Pesquisas recentes mostram que pessoas com esteatose hepática frequentemente apresentam níveis mais baixos de zinco no sangue e que a reposição desse mineral pode melhorar marcadores importantes da saúde do fígado.
Por que o zinco é tão importante para o fígado
O fígado é o principal regulador do metabolismo do zinco no organismo e, ao mesmo tempo, um dos órgãos que mais depende dele para funcionar bem. O zinco participa de mais de 300 reações no corpo, incluindo processos essenciais para a saúde hepática como a quebra e o transporte de gorduras, a regulação da insulina e a defesa contra os radicais livres que danificam as células.
Quando os níveis de zinco estão baixos, o fígado perde capacidade de processar gorduras com eficiência. Os triglicerídeos se acumulam dentro das células hepáticas, a resistência à insulina aumenta e o estresse oxidativo se intensifica, criando um ambiente inflamatório que favorece a progressão da esteatose simples para estágios mais graves, como a esteato-hepatite e, em casos extremos, a fibrose.

Estudo clínico mostra que o zinco reduziu inflamação e colesterol em pacientes com gordura no fígado
A relação entre o zinco e a melhora da esteatose hepática já foi testada em estudos clínicos com resultados promissores. Segundo o ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo “The effects of zinc supplementation on the metabolic factors in patients with non-alcoholic fatty liver disease”, publicado no periódico BMC Nutrition e indexado no PubMed, 50 pacientes com sobrepeso ou obesidade e diagnóstico de esteatose hepática foram divididos em dois grupos. O grupo que recebeu 30 mg de zinco por dia durante 8 semanas apresentou redução significativa na circunferência da cintura, no índice de massa corporal, nos níveis de colesterol total, colesterol LDL e na enzima hepática AST, em comparação ao grupo placebo. O estudo completo pode ser acessado em: Effects of zinc supplementation on metabolic factors in NAFLD — BMC Nutrition (PubMed).
Como a deficiência de zinco se instala sem ser percebida
A falta de zinco no organismo é mais comum do que se imagina, mas seus sinais costumam ser confundidos com outros problemas de saúde. Entre os indícios que merecem atenção, especialmente em pessoas já diagnosticadas com gordura no fígado, estão:
- Queda de cabelo mais intensa do que o habitual e unhas fracas ou quebradiças
- Cicatrização lenta de feridas e cortes
- Infecções frequentes, como gripes e resfriados que demoram a melhorar
- Perda de apetite e alterações no paladar ou no olfato
- Cansaço persistente e dificuldade de concentração
Pessoas com alimentação baseada em ultraprocessados, vegetarianos sem planejamento nutricional adequado e indivíduos com doenças gastrointestinais que prejudicam a absorção de nutrientes estão entre os grupos com maior risco de deficiência. O consumo excessivo de álcool também reduz os estoques de zinco no organismo.
Alimentos ricos em zinco para incluir no almoço
A forma mais segura e eficiente de manter os níveis de zinco adequados é por meio da alimentação. Diversas opções acessíveis podem ser facilmente incorporadas ao prato do almoço:
- Carne vermelha e frango, que estão entre as fontes mais biodisponíveis, ou seja, o corpo absorve o zinco desses alimentos com mais facilidade
- Sementes de abóbora, que concentram uma das maiores quantidades de zinco entre as fontes vegetais
- Feijão, lentilha e grão-de-bico, que combinam zinco com fibras e proteínas vegetais
- Castanha-de-caju e amendoim, que oferecem zinco junto com gorduras saudáveis e magnésio
- Ovos, que complementam a ingestão diária e são versáteis no preparo
Vale lembrar que a absorção do zinco de fontes vegetais é menor do que a de fontes animais, devido à presença de fitatos nas leguminosas e cereais. Deixar o feijão e a lentilha de molho antes do cozimento ajuda a reduzir esses compostos e melhorar o aproveitamento do mineral. Para mais informações sobre a doença e como tratá-la, confira o guia completo sobre gordura no fígado do Tua Saúde.

Zinco ajuda, mas não resolve sozinho
O zinco é um aliado importante na proteção do fígado, mas não substitui as medidas que comprovadamente fazem a maior diferença no tratamento da esteatose hepática. A perda de 5% a 10% do peso corporal continua sendo a intervenção com maior impacto na redução da gordura acumulada no órgão. Alimentação equilibrada, atividade física regular e redução do consumo de açúcar, álcool e ultraprocessados formam a base do tratamento.
A suplementação de zinco só deve ser feita com orientação de um médico ou nutricionista, após exames que confirmem a deficiência. O excesso do mineral pode causar efeitos colaterais como náuseas, dor abdominal e interferência na absorção de cobre. Se você foi diagnosticado com esteatose hepática, procure um hepatologista ou gastroenterologista para uma avaliação completa e para definir a melhor estratégia de tratamento para o seu caso.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um profissional de saúde. Consulte sempre um médico para orientações individualizadas.









