A ciência sempre buscou entender por que certas pessoas ultrapassam os 100 anos de vida enquanto outras não chegam perto disso. Uma pesquisa recente liderada pela Universidade de Bolonha, na Itália, trouxe uma resposta surpreendente: centenários italianos carregam uma proporção maior de material genético herdado de caçadores-coletores que viveram na Europa há mais de 14 mil anos. Essa herança genética, moldada por condições extremas da Era do Gelo, pode estar silenciosamente influenciando a forma como o corpo envelhece, combate infecções e gerencia o estresse ao longo da vida.
O que o estudo descobriu sobre os centenários italianos?
A equipe liderada pela professora Cristina Giuliani, da Universidade de Bolonha, analisou o DNA de 333 centenários italianos e 690 adultos saudáveis de meia-idade. Os pesquisadores compararam esses dados com 103 genomas antigos que representam as quatro principais linhagens ancestrais da Europa. Dentre todas as ancestralidades analisadas, apenas a dos chamados Caçadores-Coletores do Oeste apareceu de forma consistentemente maior nos centenários.
Os resultados indicaram que um aumento na proporção dessa ancestralidade antiga estava associado a chances 38% maiores de chegar aos 100 anos. O efeito foi ainda mais forte entre as mulheres, que representam cerca de 83% dos italianos centenários. Segundo Giuliani, o estudo demonstra pela primeira vez a contribuição de componentes genéticos ancestrais para o fenômeno da longevidade extrema.
Estudo na GeroScience revela a ligação entre ancestralidade antiga e vida longa
Segundo o estudo Western Hunter-Gatherer genetic ancestry contributes to human longevity in the Italian population, publicado na revista GeroScience em 2025, os centenários apresentaram uma maior quantidade de variantes genéticas de caçadores-coletores em regiões do genoma já associadas à longevidade em estudos anteriores. Os pesquisadores utilizaram múltiplos métodos estatísticos e de genômica comparada para confirmar que esse padrão não reflete apenas diferenças regionais, mas uma associação real com a capacidade de viver mais.
Os autores sugerem que essas variantes genéticas podem ter sido selecionadas naturalmente durante a Última Era Glacial, quando invernos rigorosos e escassez de alimentos favoreceram indivíduos com melhor capacidade de resposta imunológica e metabolismo mais eficiente. Essas mesmas adaptações podem estar ajudando o corpo a envelhecer de forma mais saudável nos dias de hoje.

Como essa herança genética pode proteger contra o envelhecimento?
Com o passar dos anos, o corpo tende a desenvolver um estado de inflamação crônica de baixo grau que danifica tecidos e aumenta o risco de doenças. Os pesquisadores acreditam que as variantes herdadas dos caçadores-coletores podem atuar em mecanismos biológicos que ajudam a controlar esse processo. Entre as possíveis vantagens estão:

O que está ao nosso alcance para viver mais e melhor?
Embora a genética desempenhe um papel importante na longevidade, os próprios pesquisadores reforçam que a ancestralidade não é destino. Especialistas estimam que cerca de 75% da variação na expectativa de vida humana depende de fatores ambientais e comportamentais. Hábitos como alimentação equilibrada, atividade física regular, sono de qualidade e manutenção de relações sociais saudáveis continuam sendo os pilares mais acessíveis para quem deseja viver mais. Para conhecer estratégias práticas que favorecem a longevidade, confira o guia completo sobre longevidade do Tua Saúde.
O que essa descoberta significa para o futuro da ciência do envelhecimento?
A possibilidade de que genes moldados há milhares de anos ainda influenciem a saúde de quem vive hoje abre um novo campo de investigação. Os pesquisadores já planejam estudos laboratoriais para verificar se essas variantes genéticas realmente alteram o funcionamento do sistema imunológico e do metabolismo, além de replicar a análise em outras populações fora da Itália.
Se você tem curiosidade sobre sua própria saúde e envelhecimento, converse com um médico. Somente um profissional pode avaliar fatores individuais e orientar decisões que realmente impactem sua qualidade de vida a longo prazo.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um médico. Procure sempre orientação de um profissional de saúde qualificado.









