O extrato de cardo-mariano, rico em silimarina, é um dos fitoterápicos mais estudados para a saúde do fígado. A principal hipótese é que ele ajude a proteger as células hepáticas contra estresse oxidativo, inflamação e agressões metabólicas, o que pode colaborar para a redução de enzimas como ALT e AST quando estão elevadas.
Isso não significa que o cardo-mariano cure sozinho uma doença hepática ou substitua o tratamento indicado pelo médico. O que a literatura científica mostra é um possível efeito complementar, especialmente em pessoas com esteatose hepática e alterações leves a moderadas nos exames.
Como a silimarina age no fígado
A silimarina tem ação antioxidante e anti-inflamatória, ajudando a reduzir danos provocados por radicais livres e a estabilizar a membrana das células do fígado. Na prática, isso pode limitar lesões hepáticas e favorecer um ambiente mais adequado para a recuperação funcional do órgão.
Além disso, o composto vem sendo estudado por sua capacidade de modular o acúmulo de gordura no fígado e melhorar alguns marcadores metabólicos. Por isso, costuma aparecer como coadjuvante em quadros de fígado gorduroso e enzimas hepáticas alteradas.

O que pode melhorar nos exames
Quando o cardo-mariano é usado com acompanhamento, os efeitos mais observados nos estudos costumam envolver melhora discreta, mas clinicamente relevante, em alguns marcadores:
- Redução de ALT e AST, que são enzimas ligadas à lesão hepática
- Possível melhora de triglicerídeos e colesterol LDL
- Apoio ao controle da inflamação associada à esteatose hepática
- Melhora da sensibilidade metabólica em parte dos pacientes
Esses resultados tendem a ser mais consistentes quando o fitoterápico é associado a perda de peso, alimentação equilibrada e menos álcool. Para entender melhor o que significam esses marcadores, vale conhecer o exame de TGO e TGP.
O que diz um estudo científico
Segundo a revisão sistemática com meta-análise Administration of silymarin in NAFLD/NASH: A systematic review and meta-analysis, publicada na Annals of Hepatology, a silimarina esteve associada à redução de ALT e AST, além de melhora de alguns marcadores metabólicos e da esteatose em pessoas com doença hepática gordurosa não alcoólica.
Esse tipo de estudo tem peso importante porque reúne vários ensaios clínicos. Ainda assim, os autores destacam que os benefícios precisam ser confirmados por pesquisas adicionais, o que reforça uma ideia central: o cardo-mariano pode ajudar, mas não deve ser tratado como solução isolada para qualquer alteração no fígado.
Cuidados antes de usar o suplemento
Mesmo sendo natural, o extrato não deve ser tomado sem critério. Alguns pontos merecem atenção antes do uso regular:
- Nem toda enzima alta vem do fígado, e a causa precisa ser investigada
- O produto pode interagir com medicamentos em uso
- Pessoas com doenças biliares, gravidez ou alergia a plantas da mesma família exigem mais cautela
- Dose, tempo de uso e formulação variam entre os estudos
Também é importante lembrar que enzimas hepáticas alteradas podem sinalizar esteatose, hepatite, álcool em excesso, uso de remédios ou outros problemas que exigem diagnóstico correto.

O que realmente faz diferença no longo prazo
O melhor cenário para o fígado costuma envolver um conjunto de medidas. Reduzir ultraprocessados, controlar o peso, dormir bem, praticar atividade física e evitar excesso de álcool continuam sendo as estratégias mais importantes para baixar enzimas hepáticas e preservar o órgão ao longo dos anos.
O cardo-mariano pode entrar como apoio dentro desse cuidado mais amplo, especialmente quando há orientação profissional e exames acompanhando a evolução. Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









