A dúvida entre cortar gorduras ou diminuir carboidratos para proteger o coração já gerou debates intensos entre especialistas e confundiu milhões de pessoas que buscam se alimentar melhor. Um grande estudo recente, que acompanhou quase 200 mil pessoas por mais de 30 anos, trouxe uma resposta surpreendente e definitiva: o que mais importa para a saúde do coração não é escolher entre uma dieta com menos gordura ou menos carboidrato, mas sim a qualidade dos alimentos que compõem essa dieta. Em outras palavras, tanto faz reduzir gorduras ou carboidratos, desde que você escolha os alimentos certos.
O que o estudo de Harvard revelou sobre dieta e doenças do coração?
Pesquisadores das universidades de Harvard analisaram dados de quase 200 mil adultos durante mais de três décadas e descobriram que tanto dietas com menos gordura quanto dietas com menos carboidrato reduziram o risco de doenças cardíacas, mas apenas quando eram compostas por alimentos de boa qualidade. As versões saudáveis de ambas as dietas diminuíram o risco de doença coronariana em 13% a 15%.
Em contrapartida, quando essas mesmas dietas eram baseadas em alimentos de baixa qualidade, como carboidratos refinados, carnes processadas e gorduras de origem animal, o risco de doença cardíaca aumentava em até 14%. Isso mostra que o rótulo “low carb” ou “low fat” em si não garante proteção alguma ao coração.

Estudo publicado no JACC confirma que a qualidade da dieta supera a proporção de nutrientes
A evidência que sustenta essa descoberta vem de uma das pesquisas mais robustas já realizadas sobre o tema. Segundo o estudo “Effect of Low-Carbohydrate and Low-Fat Diets on Metabolomic Indices and Coronary Heart Disease in U.S. Individuals”, publicado no Journal of the American College of Cardiology (JACC), dietas que priorizam fontes vegetais de gorduras e proteínas, junto com carboidratos de boa qualidade como grãos integrais, frutas e leguminosas, foram associadas a menor risco de doença coronariana. Os pesquisadores também utilizaram marcadores sanguíneos objetivos para confirmar que as versões saudáveis dessas dietas melhoram o perfil de colesterol e triglicerídeos.
Alimentos que protegem o coração independentemente do tipo de dieta
Os resultados do estudo deixam claro que certos alimentos devem estar presentes na dieta de quem deseja cuidar da saúde cardiovascular, independentemente de seguir uma abordagem com menos gordura ou menos carboidrato:

Para entender melhor como as gorduras saturadas afetam o organismo e quais alimentos devem ser consumidos com moderação, consulte o conteúdo completo do Tua Saúde sobre gordura saturada.
O que realmente prejudica o coração na alimentação?
O estudo também identificou com clareza quais padrões alimentares aumentam o risco cardiovascular, independentemente de a dieta ser classificada como “low fat” ou “low carb”:
- Carboidratos refinados: pão branco, massas comuns, biscoitos e bebidas açucaradas elevam rapidamente o açúcar no sangue e favorecem o acúmulo de gordura nas artérias.
- Gorduras de origem animal em excesso: carnes gordas, embutidos, manteiga e frituras aumentam os níveis de colesterol ruim (LDL) e a inflamação nos vasos sanguíneos.
- Alimentos ultraprocessados: salgadinhos, refeições prontas e produtos industrializados combinam gordura, açúcar e sódio em proporções que sobrecarregam o sistema cardiovascular.
A escolha alimentar deve ser orientada por um profissional
Embora a ciência aponte cada vez mais para a importância da qualidade dos alimentos acima de qualquer rótulo de dieta, cada pessoa possui necessidades nutricionais diferentes. Fatores como peso, histórico familiar, níveis de colesterol e presença de diabetes influenciam diretamente a melhor estratégia alimentar para o coração.
A orientação de um médico ou nutricionista é fundamental para montar um plano alimentar personalizado que respeite as necessidades individuais e ofereça proteção cardiovascular de verdade.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um médico. Em caso de dúvidas ou sintomas persistentes, procure orientação de um profissional de saúde qualificado.









